quinta-feira, 26 de junho de 2014

'Fundo abutre' diz que Argentina violou ordem judicial dos EUA

Responsável pela disputa sobre a dívida do país, Thomas Griesa convoca audiência para a manhã desta sexta-feira

O fundo de investimento NML Capital acusou o governo da Argentina de violar a sentença do juiz Thomas Griesa, ao anunciar o pagamento de uma parcela de sua dívida reestruturada, nesta quinta-feira, e pediu a convocação de uma reunião urgente para discutir a suposta violação. O pedido do fundo foi aceito por Griesa, que determinou a realização de uma audiência na manhã desta sexta-feira.

O advogado do NML, Robert Cohen, enviou carta a Griesa, comentando o anúncio feito pelo ministro argentino da Economia, Axel Kiciloff, que desrespeitaria a obrigação de quitar a dívida com o NML, alvo da contestação na justiça, ao mesmo tempo em que paga os demais credores, que aceitaram as reestruturações da dívida em 2005 e 2010.

A decisão de Thomas Griesa permite que os recursos depositados pela Argentina sejam embargados para pagar o NML, empurrando a Argentina para uma "moratória técnica". Cohen afirmou que a iniciativa da Argentina merece "uma resposta suave e decisiva".

"Pedimos a vossa Excelência que convoque uma reunião tão logo seja praticável para abordar esta violação das ordens desta Corte. A Argentina deve ser obrigada a mostrar razões pelas quais não deve ser punida por desacato", conclui.

O documento relata que Kiciloff, após fazer um discurso em Nova York na quarta-feira, retornou à Argentina e anunciou, nesta quinta-feira, um pagamento de US$ 832 milhões a detentores de bônus do país, para o qual depositou US$ 539 milhões no Banco Mellon de Nova York.

O representante do NML também lembrou as declarações de Kiciloff de que a decisão de Griesa coloca a Argentina numa situação "absurda", e que ele é "parcial" (em relação aos credores).

"Finalmente, ele declarou, falsamente, que os 'fundos abutres' nunca quiseram negociar", disparou Cohen, na carta.