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Fim de partida: final melancólico de governo!

Por Dr. José Nazar, publicado no Instituto Liberal
Jacques Lacan, o mais famoso psicanalista
francês, afirma sabiamente que a melancolia – ou seja, a não aceitação da perda
do objeto mais precioso – pode ser traduzida como uma covardia moral. Quer dizer
que a máscara que protegia o indivíduo, ao cair, deixa-o sem recursos diante dos
outros. O sujeito, então, escolhe esconder-se na tristeza, na vergonha,
protegendo-se do enfrentamento da realidade mostrada como sua verdade. A imagem
arranhada funciona como um fantasma, um algoz severo que insiste no
questionamento do que antes era apresentado.
A presidente Dilma Rousseff deveria ter falado na
cerimônia de abertura da Copa do Mundo no Brasil.
Trata-se de uma questão moral e ética! Era seu
dever tomar a palavra e falar em nome da nação que recebe as delegações, o
público, a imprensa do mundo inteiro e de nosso País. É inadmissível que uma
chefe da nação, que usou o dinheiro público para construir doze estádios quando
a própria Fifa havia dito que só necessitava de oito, não fale no Evento de
Abertura da Copa do Mundo! Isso, sem citartodas as obras caríssimas, inacabadas,
inauguradas às pressas para o Evento… O que levou a chefe da nação a perder a
oportunidade de aproveitar o ensejo para, em seu discurso, dizer dos
“benefícios” que a Copa teria trazido para seu País. Logo ela, que nunca perde
uma única oportunidade para enaltecer os feitos seus e de seu Partido! Como
interpretar essa situação, tão esdrúxula quanto paradoxal, ainda mais num ano
eleitoral?
Há uma dívida pairando no ar, pois toda a nação e
os povos estrangeiros que vêm acompanhando pela imprensa os acontecimentos
sociais e políticos da Copa no nosso País, esperavam uma palavra da Chefe
Suprema da Nação, na presença de seu povo representado, no Estádio de Abertura
da Copa, pelos torcedores e suas famílias. Como entender que o pronunciamento,
tão esperado e devido, tenha sido feito em Rede Nacional de Rádio e Televisão,
protegido dos questionamentos, do olhar, e da reação do povo, em nome do qual a
nossa governante enverga seu cargo?
O povo, que paga seus impostos e sustenta as
decisões e os gastos realizados por seus representantes, tem o direito de se
manifestar diante de sua maior representante e, esta, tem obrigação moral de
enfrentar as críticas que suas ações provoquem. Se isso não ocorre, mesmo assim,
isto tem uma interpretação: covardia moral!