sábado, 3 de maio de 2014

Um dos grandes momentos da semana: o minuto de silêncio — realmente silencioso — da torcida do Bayern de Munique. Mas não apenas isto…

Blog Ricardo Setti - Veja


A torcida do Bayern ilustra perfeitamente a bandeira do time (Foto: Wallpaper.net)
A torcida do Bayern ilustra perfeitamente a bandeira do time. Depois, seria a vez de algo que, no Brasil, consideraríamos espantoso: um minuto de silêncio em que, efetivamente, se fez um absoluto silêncio (Foto: Wallpaper.net)

Para mim, foi um dos grandes momentos da semana — e um exemplo de grau civilizatório que extrapola, de muito, o mundo do futebol.

Refiro-me ao minuto de silêncio observado no Allianz Arena, o espetacular estádio de futebol de Munique no qual o Real Madrid massacrou o Bayern, principal time da cidade e da Alemanha, por 4 a 0 pela partida de volta das semifinais da Liga dos Campeões da Europa, o principal torneio de times do planeta.

Quando o árbitro português Pedro Proença deu aos dois times, devidamente formados, o sinal de que haveria um minuto de silêncio em homenagem ao catalão Tito Vilanova, ex-técnico do FC Barcelona, falecido na semana anterior, e ao sérvio Vujadin Boskov, ex-técnico de vários times, inclusive do Real Madrid, morto no domingo, 26, ocorreu algo que, no Brasil, seria espantoso: os 22 jogadores, os dois técnicos, os dezenas de jogadores reservas, preparadores físicos e outros funcionários dos dois times e, mais do que isso, os 67.800 espectadores da partida fizeram realmente silêncio — um silêncio absoluto, digno, respeitoso.

Nada de risotas, conversinhas, assobios, como ocorre em nossos estádios que, como dizia o escritor Nelson Rodrigues (referindo-se, especificamente, ao Maracanã), não respeitam nem minuto de silêncio.

Antes disso, outra manifestação da organização, seriedade e disciplina do público — e refiro-me à barulhenta e não raro turbulenta torcida do Bayern: com sincronia de relógio suíço, dezenas de milhares de torcedores erguendo peças de plástico formaram, nas arquibancadas, o distintivo e as cores símbolo do clube em formato gigante.

A registrar, finalmente, a altivez da torcida que, embora assistisse a um surpreendente e raro banho de futebol sofrido pelo timaço do Bayern, não cessou de incentivar os jogadores mesmo quando a goleada implacável já estava há tempos estampada no placar.

Civilização, esta é a palavra para coisas assim. Não é por acaso que a Alemanha é o país que é hoje.