sábado, 24 de maio de 2014

Transportadora dinamarquesa de petróleo teria pago propina à Petrobras. Dilma e Lula desmoralizaram a estatal

O Globo



Maersk repassou mais de R$ 6 milhões como comissão para alugar navios à estatal brasileira, segundo reportagem da revista ‘Época’

 

A Maersk, dona de uma frota com mais de 600 navios e faturamento anual de US$ 27 bilhões, atende à Petrobras há muito tempo. Fechou recentemente com a estatal brasileira um contrato de US$ 300 milhões para fornecer quatro navios. Outros 12 navios servem anualmente à Petrobras.

Segundo os documentos apreendidos pela PF, a empresa teria pago à Petrobras R$ 6,2 milhões de “comissão” entre 2006 e 2010 para alugar navios à Petrobras. A área era então comandada por Paulo Roberto Costa. O valor da comissão equivale a 1,25% de cada carga da Petrobras transportada nos navios da Maersk, segundo a revista “Época”. De cada pagamento feito pela Petrobras à Maersk, segundo a PF, 1,25% era devolvido a Paulo Roberto na forma de propina.
 
De acordo a revista, para receber a comissão, Paulo Roberto fechou em 2006 um contrato secreto com a Maersk e colocou na transação um parceiro, Wanderley Gandra. Pelo contrato, uma empresa ligada a Maersckse comprometia a pagar a comissão de 1,25% a Gandra, por carga transportada no navio DS Performer. Outros 1,25% deveriam ser pagos à Maersk do Brasil, subsidiária da empresa dinamarquesa. Nos anos seguintes, contratos semelhantes forma fechados.

Segundo os documentos, o dinheiro da comissão era transferido da Dinamarca para uma conta no Brasil de uma empresa de Gandra. Houve pagamentos no afretamento de, ao menos, 11 navios da Maersk. Na contabilidade prestada por Gandra a Paulo Roberto, todos os valores eram sacados como lucro.

“Importante frisar que 100% das receitas (da empresa de Gandra) tiveram origem na cobrança de comissões de 1,25% sobre afretamento de navios, indicando que a Gandra Brokerage foi criada somente para receber essas comissões”, afirma o relatório da PF ao qual a revista teve acesso.

À revista “Época”, o advogado de Paulo Roberto Costa, Nélio Machado, disse que ainda não teve condições de conversar com seu cliente sobre detalhes das investigações da Lava Jato. Mas afirma estar seguro que no momento correto Paulo Roberto dará explicações sobre o período em que foi diretor da Petrobras. Procurada pela reportagem, a Maersck não respondeu ao contato da “Época”.

A investigação desse caso e dos demais envolvendo a Petrobras está suspensa desde domingo passado, quando Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, ordenou que a Justiça Federal do Paraná parasse as oito ações penais da Operação Lava Jato e enviasse todos os processos ao STF.

O líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR), disse, neste sábado, que a CPI mista da Petrobras se impõe neste momento em que surgem mais informações sobre ilegalidades na estatal.
— Já sabemos quem perdeu com essas negociatas: o povo brasileiro. Precisamos investigar para saber quem ganhou. Isto será possível com a agilidade da CPI mista, que tem poderes para quebrar sigilo, por exemplo, sem autorização judicial — afirmou Rubens Bueno.

A matéria da revista “Época”, disse ele, revela a metodologia da quadrilha que a Polícia Federal afirmou ter agido na Petrobras.

O líder lamentou que Paulo Roberto Costa tenha sido colocado em liberdade pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na semana passada. No entender de Bueno, “com todo o dinheiro que tem Paulo Roberto pode obstaculizar as apurações sobre o escândalo na Petrobras”. Para o deputado, seria mais produtivo o Congresso Nacional investigar o caso com ele preso.

— A cada momento a CPI se torna mais importante, pois com suas prerrogativas o Parlamento pode vencer uma série de dificuldades para apurar as ilegalidades cometidas na Petrobras — acentuou o líder do PPS.

Para ele, o povo deve lutar e defender a Comissão Parlamentar de Inquérito de deputados e senadores. A CPMI deve ser instalada na próxima semana.