Blog Rodrigo Constantino -Veja

Por João Luiz
Mauad, publicado no Instituto Liberal
“A história do homem é a história da luta de
classes” (Karl Marx)
Malgrado as mais contundentes demonstrações em
contrário, os marxistas continuam não se dando por vencidos e insistem na
existência de uma inexorável luta de classes, que terminará com a vitória final
do proletariado e do modelo comunista.
Num famoso vídeo que se tornou viral na internet, a filósofa
marxista Marilena Chaui destila toda a sua verve contra a existência e a
progressiva prosperidade da chamada classe média, não por acaso a prova cabal de
que as profecias de Marx estavam absolutamente equivocadas. Diz a filósofa da
USP:
“Eu odeio a classe média. Ela é um atraso de
vida, é o que há de mais reacionário, conservador, ignorante, petulante,
arrogante, terrorista…”
“Eu me recuso a admitir que os trabalhadores
brasileiros, porque conquistaram certos direitos (…) se transformaram em classe
média. (…) A classe média é uma aberração política, porque ela é fascista. É uma
aberração ética, porque ela é violenta. É uma aberração cognitiva, porque ela é
ignorante…”
Aquele discurso pode
ter surpreendido alguns incautos, mas não quem já estudou, ainda que
superficialmente, a teoria marxista. Chaui apenas reverbera as batatadas que
produziram seus mestres no famigerado Manifesto Comunista. Vejam:
“De todas as classes que hoje em dia
defrontam a burguesia só o proletariado é uma classe realmente revolucionária.
As demais classes vão-se arruinando e soçobram com a grande indústria; o
proletariado é o produto mais característico desta.
Os estados médios [Mittelstände] — o pequeno
industrial, o pequeno comerciante, o artesão, o camponês —, todos eles combatem
a burguesia para assegurar, face ao declínio, a sua existência como estados
médios. Não são, pois, revolucionários, mas conservadores. Mais ainda, são
reacionários, pois procuram fazer andar para trás a roda da história.”
Segundo a teoria, a acumulação capitalista faria
com que uns poucos burgueses acabassem detendo toda a riqueza disponível, graças
à exploração do restante da população. Toda o capital do mundo nas mãos de
poucos, em contraste com a miséria de muitos, faria emergir a ira revolucionária
que desembocaria, inexoravelmente, na tomada do poder pelo proletariado. O
capitalismo nada mais seria, portanto, que uma etapa no caminho da consolidação
do comunismo. De forma resumida, eis como a coisa toda deveria desenrolar-se,
nas palavras de Marx e Engels:
“A condição essencial para a existência e
para a dominação da classe burguesa é a acumulação da riqueza nas mãos de
privados, a formação e multiplicação do capital; a condição do capital é o
trabalho assalariado. O trabalho assalariado repousa exclusivamente na
concorrência entre os operários. O progresso da indústria, de que a burguesia é
portadora, involuntária e sem resistência, coloca no lugar do isolamento dos
operários pela concorrência a sua união revolucionária pela associação. Com o
desenvolvimento da grande indústria é retirada debaixo dos pés da burguesia a
própria base sobre que ela produz e se apropria dos produtos. Ela produz, antes
do mais, o seupróprio coveiro. O seu declínio e a vitória do
proletariado são igualmente inevitáveis.”
Imunes à razão, os marxistas mantiveram, ao longo
dos últimos séculos, uma fé inabalável nos prognósticos de seu guru, o que os
leva a odiar com todas as forças tudo quanto lhes faça vislumbrar que ele
pudesse estar equivocado, não só em suas teorias, mas principalmente em suas
previsões. Daí porque o ódio por essa classe de gente que se convencionou
chamar de “média”, cuja multiplicação, especialmente nos países capitalistas
mais avançados, é a comprovação empírica irrefutável de que a fabulosa tese
profética de Marx foi um erro crasso.
Os crentes desta religião confiam até hoje na
realização da referida profecia e odeiam tudo quanto possa indicar que a
história tenha seguido um caminho diferente. Odeiam especialmente o fato de que
a história do capitalismo é a história da multiplicação acelerada da riqueza, e
não da luta de classes. Acima de tudo, odeiam o fato de que a riqueza gerada
pelo desenvolvimento industrial nos países capitalistas acabou beneficiando a
maioria das gentes e não apenas os mais ricos.
Dotados que são de
extraordinária vocação para retorcer a realidade, os marxistas jamais admitirão
o fato de que os interesses dos agentes econômicos no capitalismo são harmônicos
– como demonstraram Adam Smith, Bastiat e tantos outros – e não
antagônicos, como queria Marx. Continuam apostando no caduco discurso de classes
“hegemônicas” e “dominantes”, além de dar demasiada atenção às desigualdades de
renda, no lugar de focar no combate à pobreza.
Ocultam de seus jovens prosélitos certas
verdades, muitas vezes até óbvias, como a de que os interesses do banqueiro
estão atrelados à prosperidade do devedor – não só para pagar os empréstimos
contraídos, como para fazer outros – e não à bancarrota do mesmo. Utilizam-se
de raciocínios espúrios que, na maioria das vezes, inferem a existência de uma
conspiração burguesa para empobrecer o proletariado, muito embora a lógica mais
rudimentar determine exatamente o contrário, ou seja: quanto maior a renda dos
trabalhadores, maior será o consumo e melhor será para todos os produtores.
Peguemos, por
exemplo, alguns dados estatísticos dos Estados
Unidos da América – a mais capitalista das nações capitalistas – compilados
pela Heritage Foundation:
43% de todas as famílias consideradas pobres são
donas de sua própria casa. A residência padrão dessas famílias tem 3
dormitórios, 1,5 banheiro, garagem e varanda (ou pátio). 80% delas dispõem de
calefação ou ar condicionado. Um típico americano pobre tem mais espaço de
moradia do que a média das pessoas morando em Paris, Londres, Viena, Atenas e
outras cidades européias.
Perto de ¾ das famílias pobres nos EUA são donas de
pelo menos 1 carro e 31% têm dois automóveis ou mais. 97% das residências têm
televisão a cores e mais da metade têm duas ou mais. 78% têm um DVD payer; 62%
dispõem de Tv a cabo ou recepção por satélite. 89% das famílias pobres são
donas de fornos de microondas, enquanto mais da metade delas têm equipamentos de
som estéreo e 1/3 possui máquinas de lavar pratos.
Na média, portanto, um típico americano pobre tem
um carro, calefação, geladeira, fogão, máquina de lavar roupa, forno de
microondas, televisão a cores com recepção a cabo ou por satélite, aparelho de
DVD e equipamento de som e telefone celular. Isso sem falar de esgotamento
sanitário, energia elétrica e água encanada disponíveis a quase 100% da
população daquele país.
Olhando os dados acima, fica claro que um cidadão
considerado pobre, como definido pelo governo americano, desfruta de um padrão
de vida infinitamente superior ao imaginado pelo mais abastado dos nobres na
época em que Marx e Engels fizeram suas profecias.
Os padrões de consumo e conforto das famílias
pobres da América – que são similares aos das classes médias em muitos países,
inclusive o Brasil – é a prova cabal de que o capitalismo, longe de representar
o empobrecimento da classe trabalhadora, tornou-se a sua verdadeira redenção,
para desespero de muitos intelectuais, como Marilena Chaui.