O Estado de São Paulo
A pesquisa mais recente do Ibope trouxe boas e más notícias aos candidatos, o
que aumentou a sensação de imprevisibilidade, exceto quanto à realização do
segundo turno, que tudo indica inevitável.
A presidente Dilma Rousseff estancou a queda, mas parece ter atingido o teto
na recuperação lenta e instável dos índices de aprovação altos que exibia até as
manifestações de junho do ano passado. Continua num patamar de risco para quem
tenta a reeleição.
Os candidatos de oposição, Aécio Neves e Eduardo Campos, cresceram na
intenção de votos e desceram no índice de rejeição, quesito em que a presidente
atingiu 33%. Ruim para ambos é que o favoritismo de Dilma mantém decisivo o
desafio de catalisarem o desejo de mudança manifestado por 70% dos
entrevistados.
A soma de votos de Aécio e Campos os situam, agora, a quatro pontos de
distância da presidente, diferença que já foi de 13 pontos. Há um inegável
potencial de crescimento da oposição com a inclusão da televisão na campanha,
como mostra o crescimento do candidato do PSDB.
Por essa constatação, é lógico aplicar a Dilma a mesma expectativa, já que
terá o triplo do tempo de televisão de Aécio e sete vezes o de Campos. Se a
equação fosse estritamente matemática, sua reeleição estaria garantida.
O problema crucial de Dilma é que a natureza das demandas levadas às ruas em
junho passado não permitem respostas imediatas, limitando a campanha do governo
ao que já foi feito (pouco ou quase nada do que lhe é cobrado) e à renovação de
compromissos.
É mais do mesmo em um cenário marcado pela intolerância da sociedade com
explicações e promessas feitas para atenuar os péssimos serviços públicos, em
contrapartida à carga de impostos que, de uma década para cá, é uma conta
exclusiva do PT.
Um dado importante da pesquisa é o que registra a subida de Aécio no estrato
de baixa renda, atendido pelo assistencialismo oficial, mais governista nas
eleições e público-alvo da propaganda do medo.
Infraestrutura e economia impõem longo prazo, tempo recusado a um governo que
teve sete anos para aproveitar a condição de país-sede da Copa do Mundo para
encurtar o caminho na direção do padrão Fifa reclamado pela população para os
setores de saúde, transportes e segurança.
Essa impotência para responder às demandas por melhores serviços está
reconhecida na surpreendente reação do ex-presidente Lula, contrapondo ao desejo
de mudança o "padrão jumento" - aquele que troca o metrô pelo pré-histórico
lombo animal.
É a melhor síntese para desfazer a imagem de gestora da sua candidata.