Blog do Noblat - O Globo
“- Doutor, tenho ao meu lado o Direito.
- É pouco - respondeu o juiz”.
(Raimundo Reis, antigo deputado do PSD e cronista do cotidiano na Bahia, no livro de memórias “Enquanto é Tempo”)
Diante de dois fatos cruciais nesta encrespada semana de maio (os recuos e vacilações do ministro Teori Zavascki, do STF, no julgamento do habeas corpus dos presos da Operação Lava Jato, e do ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli, no depoimento à CPI do Senado para “apurar” malfeitos na compra da refinaria Pasadena pela estatal brasileira) , recorri à releitura de "Enquanto é Tempo", de Raimundo Reis, citado acima.
"Enquanto é Tempo", escrito e publicado por conselho e insistência de um vaqueiro da fazenda do autor, que ainda deu a indicação do título genial para um livro de recordações pessoais, trata da vida, contada aleatoriamente ao correr do tempo e eventos.
Bem ao modo e estilo livre, original e sempre surpreendente de Raimundo, mas sem se levar demasiadamente a sério nem tomar a sério demais a muita gente "metida a besta" que o rodeava na política e no poder nos bons e maus tempos que ele atravessou.Principalmente nos bons.
O relato cobre décadas da história baiana e brasileira, principalmente o tempo em que - à moda da canção famosa de Gilberto Gil - "quem governava era Antonio Balbino" , então mestre do pessedismo estadual e nacional: vai do parto complicado na chegada ao mundo do neto do poderoso Petronilo Reis (o coronel Petro), respeitado até por Virgulino Ferreira, o Lampião, em suas incursões de temido cangaceiro pelo sertão do Rio São Francisco, em Santo Antonio da Gloria, até os anos 60/70.
Nos anos da ditadura, o autor já se transformara em inquieto parlamentar da Assembléia Legislativa da Bahia e brilhava, também, na condição de um dos mais cultuados intelectualmente e lidos cronistas do jornalismo impresso e radiofônico na sua terra. Citado até por Castelinho, na célebre coluna política do Jornal do Brasil.
Leia a íntegra em Justiça e Memória: a semana de Zavascki e Gabrielli