Reinaldo Azevedo - Veja
Leiam o que informa Natuza
Nery, na Folha. Volto em seguida.
Com receio de que greves na área de segurança criem problemas internos durante a Copa e arranhem a imagem do Brasil no exterior, o governo decidiu atacar os movimentos com ações na Justiça Federal e medidas que atingem o bolso dos grevistas. São duas as principais frentes que serão adotadas na Copa: o governo vai entrar com ações judiciais contra as paralisações, medida que hoje cabe aos Estados, e quer cobrar de líderes de greve que arquem com os custos de eventual emprego da Força Nacional para garantir a ordem pública.
Recentemente, uma onda de greves de policiais militares afetou Estados como a
Bahia e Pernambuco, e a violência explodiu no período com cenas de saques e
depredações. Há indicativos de que novas paralisações de policiais militares,
civis e até da Polícia Federal ocorram no período da Copa.
(…)
À Folha o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, revelou o conjunto de medidas contra greves dessas categorias durante o Mundial. “Quem é responsável pela segurança, policial militar ou policial civil, não pode fazer greve, é ilegal.” A União decidiu que irá intervir e não vai deixar só com os municípios e Estados a competência para acionar a Justiça em caso de ameaça de paralisação.
“Podemos
entrar como assistente do município ou do Estado. Mas, no caso de segurança –e
os eventos recentes mostraram isso–, a União adquire legitimidade para tomar
iniciativa de buscar coibir práticas ilegais, seja com a Força Nacional, seja
por meio da Justiça, proibindo e impedindo a greve. Isso é uma novidade”, disse
Adams.
(…)
Comento
Penso o que penso, não é?, e não vou mudar mesmo quando, episodicamente, acabo concordando com uma decisão do governo. Sou contra greve de servidores. E tanto mais quando se trata da área de segurança. É evidente que existem outras formas de protesto.
A única coisa que lamento, no caso, é que o governo
federal não se organize para oferecer uma segurança “Padrão Fifa” o ano
inteiro, não é? Chega a ser um pouco acintosa essa preocupação específica com a
Copa do Mundo quando o país vive um apagão na área há muitos anos.
E quando não houver mais disputa, presidente Dilma? Tudo
volta ao normal — ou melhor, ao anormal?