quarta-feira, 4 de agosto de 2021

TSE pediu à PF apuração sobre invasão 10 dias após segundo turno em 2018

Um pedido encaminhado para a Polícia Federal no dia 7 de novembro de 2018 solicitava investigação sobre uma possível invasão aos sistemas digitais


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O então secretário de Tecnologia da Informação do

Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante as eleições de 2018, 

Giuseppe Dutra Janino, encaminhou à Polícia Federal no dia 

7 de novembro de 2018 um pedido para a PF investigar uma
invasão aos sistemas digitais da corte.

A carta foi elaborada a pedido da então presidente do TSE,

 Rosa Weber, a partir do recebimento de uma denúncia feita 

por um hacker ao portal de notícias "Techmundo". Weber pediu

 que a Secretaria de Tecnologia analisasse o caso.

No documento, o secretário de tecnologia avalia ser necessário

 a abertura de uma investigação pela Polícia Federal uma vez
que "existe a possibilidade de manipulação de arquivos de 

configuração que alimentam o software da urna".

Ofício Giuseppe Janino

Veja abaixo os detalhes do documento:

- Trata-se de informar acerca do recebimento de denúncia 

de acesso indevido de dados relativos aos sistemas eleitorais

 e ao projeto do hardware da UE2018. tal denúncia foi 

encaminhada por e-mail a assessoria de comunicação deste

 tribunal, a qual solicitou esclarecimentos sobre o teor do e-mail 

encaminhado pelo sr. Felipe Payão, identificado como repórter

 do portal "Techmundo".

- Tal conteúdo evidencia o acesso indevido dos seguintes 

dados: 1) Código-fonte completo do Gedai UE possivelmente da 

versão usada nas eleições 2018, porém sem assinaturas da 

cerimônia de lacração; 2) chaves e credenciais de acesso a 

servidores usadas pelo Gedai UE; 3) senhas para oficialização

 dos sistemas, candidaturas e horário eleitoral utilizadas para

 eleição suplementar 2018 de Aperibé/RJ; 4) manual técnico da

 impressora de votos desenvolvidas pelo FIT; 5) manual do QR

Code do boletim de urna.

- Não há evidência de acesso indevido do código fonte do

 software da urna - Uenux, embora exista evidência de acesso

indevido de código comum entre o Gedai-UE e o Unenux.

- Com relação ao material acessado indevidamente, o impacto

 é o seguinte:

1) o manual do QR-Code já é de domínio público e encontra-se 

publicado na Internet;

2) o manual da impressora de votos não possui informação

 sensível uma vez que trata-se da documentação de um protótipo

 que nunca entrou em operação - o seu caráter sigiloso se deve 

a uma relação contratual entre o FIT e a Quattro Eletronica;

3) as senhas de oficialização permitem, a alteração de dados 

de partidos e candidatos "até mesmo a sua exclusão" no 

contexto de um processo eleitoral. Ou seja, no caso concreto 

afeta apenas a eleição suplementar 2018 de Aperibé/RJ;

4) as credenciais de acesso aos servidores usados pelo Gedai 

UE podem permitir que alguém dentro na intranet da Justiça 

Eleitoral consiga copiar os dados de eleitores e candidatos que

 alimentam as urnas n, mas sem a capacidade de adulterá-los;

5) as chaves usadas pelo Gedai ainda requerem uma análise

 de risco mais detalhada isso porque parte das chaves são 

geradas no momento da lacração e os acesos indevido diz

 respeito ao material presente no ambiente de desenvolvimento, 

ou seja, o software lacrado usa chaves diferentes na hipótese

 de serem as mesmas existe a possibilidade de manipulação de

 arquivos de configuração que alimentam o software da urna;

6) o código fonte do Gedai acompanhado de seus binários 

compilados permite a importação de dados oficiais das eleições

 e carregamento de urnas com esses dados contudo o software 

de urna utilizado não tem as assinaturas oficiais da lacração que

 fica evidenciado pelo LED de segurança da urna e pelos 

procedimentos de verificação de hash e assinatura; também

 não seria possível a geração de um boletim de urna válido para

 a totalização a partir disso;

7) diante desse cenário solicita-se a abertura de inquérito policial 

junto a Polícia Federal para apuração dos fatos;

8) Outras providencias já estão em andamento nessa STI 

para sanar as fragilidades que resultaram nesse acesso indevido

 assim como tornar os sistemas expostos ainda mais seguros;

9) Finalmente, alerta-se sobre a necessidade de tramitação 

urgente desse processo.

Bolsonaro no TSE
Ministra Rosa Weber entrega a Jair Bolsonaro diploma 
de presidente da República (10.dez.2018)
Foto: Roberto Jayme/Ascom/TSE

 

Procurado, o TSE não se manifestou.

Caio Junqueira, CNN