LULA CULPA IMPRENSA E OPOSIÇÃO POR “ÓDIO”. E de novo fala mal das “elites” — logo ele, benfeitor de bancos e empreiteiras! Quanto a “ódio”, vamos lembrar de alguns fatos?
Lula em evento de apoio à candidatura do senador
Armando Monteiro (à esq.) ao governo de Pernambuco. O candidato é exemplar
ilustríssimo das “elites” que o ex-presidente voltou a criticar fervorosamente —
rico, herdeiro de uma dinastia de industriais e banqueiros, filho de um
ex-ministro e neto de um ex-governador (Foto: Leo Caldas)
Lá vem ele de novo — Lula.
Lula, o presidento que mais beneficiou
banqueiros e empreiteiras na história da República — pregando contra “as
elites”.
“A elite brasileira está conseguindo fazer o que nunca conseguimos”, bradou Lula. “Despertar o ódio de classes”.
Como se não fosse o PT que passasse a mão o tempo todo em “movimentos sociais” violentos e baderneiros, como o MST ou os diferentes movimentos de sem-teto, que pregam abertamente a luta de classes como forma de chegar ao poder.
Como se não tivesse partido do então chefão petista José Dirceu (hoje na cadeia como mensaleiro) a famosa conclamação — já com o governador de São Paulo Mário Covas morrendo de câncer — de maio de 2000 para que os petistas baterem nos tucanos “nas ruas e nas urnas”.
O novo surto do ex-presidento, que já vinha se esboçando
em reclamações furiosas contra empresários que ousam apoiar o tucano Aécio Neves
na próxima eleição e em explosões de raiva em encontros com correligionários,
veio à tona no Recife, durante evento de apoio à a candidatura do senador
Armando Monteiro Neto (PTB) ao governo de Pernambuco.
Por uma dessas ironias deliciosas da política e da
vida, o senador de quem Lula ergueu o braço é a própria encarnação do que o
ex-presidento critica como
“elite”: multimilionário, herdeiro de uma dinastia de industriais e banqueiros,
ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria, filho de um ex-ministro da
Agricultura e neto de um ex-governador de Pernambuco.
O fato serviu de pretexto para nova investida
contra as “elites”. Para Lula, os xingamentos vieram da “parte bonita da
sociedade” — algo curioso para quem critica ódios e discriminações, porque o
ex-presidento assumiu,
imediatamente, a hipótese de que só pessoas endinheiradas foram à partida
inaugural (a “parte bonita da sociedade”) e que, portanto, pobre é feio.
Mas quem diz que o homem está preocupado com coerência? Pois não é que Lula, o rei do palavrão, que já proferiu em palanques e no próprio gabinete presidencial expressões que não posso reproduzir na coluna, ainda quis dar lição de boas maneiras?
“Respeito, educação, a gente aprende na casa da gente (sic)”, ensinou. É de morrer de rir, por partir de quem partiu.
Se você quer rir, não deixe, em hipótese alguma, de
ler este
post de Augusto Nunes a propósito do palavreado ex-presidencial.
