Blog Rodrigo Constantino - Veja
Recordar é viver: a confusão entre partido e estado em uma imagem
Insisto nesse ponto, sob o risco de parecer
repetitivo, pois é realmente um espanto ver, agora, os petistas alegando que a
instituição da Presidência é que foi desrespeitada na abertura da Copa, sendo
que o primeiro a misturar estado com partido é justamente o PT.
Alguns militantes já
vieram manifestar que é pura paranoia reclamar desse 2014 vermelho presente do
logo oficial da Copa, que fica saltando diante de nossos olhos
o tempo todo durante os jogos. Sério mesmo? Então quer dizer que o PT nunca
faria algo assim? Jamais iria misturar um símbolo republicano ou neutro com a
marca do próprio partido?
Recordar é viver: a
confusão entre estado e partido é total desde o começo do governo do PT, que
sempre encarou todas as instituições da República como extensões partidárias.
Será que os leitores já esqueceram que o então presidente Lula decorou os jardins da casa oficial com uma enorme estrela
vermelha? Aos que têm memória curta, lá vai:
O jardim do Palácio da Alvorada, cujo projeto foi doado
ao ex-presidente Juscelino Kubitschek (1956-1960) pelo imperador japonês
Hiroito, ostenta –há seis meses– um canteiro de flores vermelhas (sálvias) no
formato da estrela do PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A
estrela tem quatro metros de diâmetro.
A novidade, revelada ontem pelo jornal “Correio
Braziliense”, provocou reações contrárias, como a de entidades ligadas à
preservação do patrimônio da cidade e de senadores da oposição. “É o símbolo do
aparelhamento do Estado”, disse o senador tucano Tasso Jereissati (CE). Já para
o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), “a administração do Palácio do Planalto
agrediu os símbolos da República”.
Há uma outra estrela de sálvia com cinco metros de
diâmetro no jardim da Granja do Torto, onde Lula e sua família costumam passar
fins de semana e feriados.
Em uma imagem que diz tudo, eis o resumo da ópera
bufa:

PT, há 12 anos tratando a coisa pública como
propriedade partidária. Até quando?