O governo se reúne na tarde desta quinta-feira, 9, com líderes partidários para tentar chegar a um meio-termo acerca da votação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 149/19, o chamado Plano Mansueto. O substitutivo apresentado ontem gerou repercussão negativa junto a lideranças no Congresso e às equipes econômica e política do governo.
Se nada do texto for alterado e um acordo não for firmado, a tendência é não votar a matéria. É nisso que confiam governistas. Na noite de ontem, os ministros da Economia, Paulo Guedes, e da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, reuniram-se com o líder do governo na Câmara, Vitor Hugo (PSL-GO), e membros da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Eles conversaram a respeito de estratégias políticas e técnicas para convencer sobre a necessidade de mudanças no texto.
Desarmar a pauta-bomba não será tarefa fácil. Mas parte da estratégia está em convencer os parlamentares de que o próprio presidente da Câmara, Rodrigo 'botafogo' Maia (DEM-RJ), atropelou com a votação. Tanto a equipe econômica quanto a articulação política consideram que o demista tentou atropelar ao pôr em pauta a matéria.
A versão apresentada por Maia à imprensa apontava um impacto de R$ 35 bilhões nos cofres públicos com o Plano Mansueto. Na verdade, essa conta chega a um total de R$ 180 bilhões. Os cálculos são da equipe econômica e serão apresentados na reunião com líderes.
Contrapartidas
O governo convidou não apenas lideranças da Câmara, mas também do Senado. Parte da estratégia governista é antecipar-se e construir uma articulação com as principais lideranças de todo o Parlamento, a fim de agilizar a tramitação da matéria como uma reforma estruturante, e não paliativa, como virou o PLP 149.
A conversa ocorrerá na sala de reunião da Secretaria de Governo, no Palácio do Planalto. Pelo governo, estarão presentes Guedes, Ramos e Vitor Hugo. Os três apontarão os dados e seus argumentos de que, sem o estabelecimento de contrapartidas dos estados e municípios para ajudar no equilíbrio fiscal da União, ficará prejudicada a retomada do crescimento econômico no cenário pós-vírus chinês.
Revista Oeste