
Danielle Nogueira, O Globo
O BNDES informou nesta quarta-feira que acertou com o Ministério da Fazenda a devolução em três parcelas de R$ 100 bilhões referentes a empréstimos feitos junto ao Tesouro Nacional. A primeira, de R$ 30 bilhões, será paga na segunda quinzena de junho.
O pagamento da segunda, de R$ 40 bilhões, será efetuado nas primeiras duas semanas de agosto. E a última, de R$ 30 bilhões, será depositada na segunda quinzena do mesmo mês.
Em março, o BNDES já havia devolvido R$ 30 bilhões. Assim, o banco terá pago ao Tesouro um total de R$ 130 bilhões em 2018. Os recursos se referem a empréstimos tomados no passado para viabilizar a concessão de financiamentos a empresas e conter efeitos da crise global de 2008. O governo federal injetou mais de R$ 400 bilhões no BNDES entre 2008 e 2014. Os vencimentos dos empréstimos vão até 2060.
No entanto, com a crise fiscal e a troca de comando no governo federal, o banco começou a antecipar os pagamentos ao Tesouro, com o objetivo de reduzir a dívida pública. Desde 2015 até março, foram devolvidos R$ 211 bilhões. Segundo nota do banco, o novo cronograma tem por objetivo “compatibilizar os pagamentos do BNDES com as datas de vencimento mais relevantes dos títulos da dívida pública federal”.
No ano passado, o ex-presidente do banco Paulo Rabello de Castro chegou a trocar farpas públicas com a equipe econômica, questionando os efeitos do pagamento antecipado sobre o caixa do BNDES e sua capacidade financeira de atender a um possível aumento de pedidos de crédito, mas isso não aconteceu.
O banco continua com desembolsos em queda e seu novo presidente, Dyogo Oliveira, integra o núcleo duro do governo Temer. Até mês passado, ele era ministro do Planejamento.