Na votação das medidas do ajuste fiscal no Senado, um dos principais problemas do governo é que o Planalto já não é capaz de reconhecer a lealdade do presidente da Casa, Renan Calheiros, e este é incapaz de demonstrá-la. Operadores políticos de Dilma Rousseff receiam que, no lufa-lufa do plenário, Renan favoreça a estratégia da oposição de retardar as votações com manobras regimentais.
As propostas que endurecem as regras para a concessão de benefícios trabalhistas e previdenciários perdem a validade na próxima segunda-feira, 1º de junho. Para evitar uma derrota do governo por decurso de prazo, os senadores têm de aprovar as medidas nesta semana. E precisam fazer isso sem alterar um mísero artigo. Do contrário, as meeidas provisórias voltam para o alçapão da Câmara.
A plateia logo saberá qual é o tamanho da vontade de Renan de irritar o governo. Está marcada para esta terça-feira uma sessão conjunta do Congresso, com a participação de deputados e senadores, para votar um lote de cinco vetos de Dilma a projetos de lei aprovados no Congresso.
Se quiser associar-se à pressa do governo, Renan cancelará a sessão dos vetos, para permitir aos senadores que concentrem suas energias na aprovação do pacote fiscal. Se quiser levar água para o moinho da protelação, Renan manterá a sessão de análise dos vetos presidenciais.
