Folha de São Paulo
A expectativa de elevação do juro básico nos Estados Unidos e a cautela com a aprovação das medidas de ajuste fiscal no Brasil fazem o dólar voltar a subir nesta terça-feira (26) para o maior nível em quase dois meses.
Às 12h35 (de Brasília), o dólar à vista, referência no mercado financeiro, tinha valorização de 0,97%, para R$ 3,146 na venda. Se fechasse assim, seria a cotação mais alta desde 1º de abril, quando estava em R$ 3,158. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, subia 1,74%, para R$ 3,152.
Indicadores econômicos divulgados nesta terça-feira nos EUA surpreenderam positivamente o mercado, reforçando apostas de que o juro básico naquele país deve subir ainda em 2015. A taxa está em seu menor nível histórico, entre zero e 0,25% ao ano, desde 2008 –uma medida tomada pelo Federal Reserve (banco central americano) para amenizar os efeitos negativos da crise.
Uma alta do juro americano deixaria os títulos do Tesouro dos EUA –que são remunerados por essa taxa e considerados de baixíssimo risco– mais atraentes do que aplicações em mercados emergentes, provocando uma saída de recursos dessas economias. A menor oferta de dólares tenderia a pressionar a cotação da moeda americana para cima.
A confiança do consumidor nos EUA ficou acima do esperado em maio ao atingir 95,4 pontos, ante estimativas em torno de 94 pontos. A venda de novas casas em abril também animou, alcançando 517 mil unidades, ante projeções em torno de 510 mil –no mês anterior, haviam sido 484 mil, segundo dados revisados.
Internamente, as atenções continuam voltadas ao Senado, que deve votar nesta sessão as Medidas Provisórias 664 e 665, que modificam as regras de acesso a benefícios trabalhistas e previdenciários e integram o ajuste fiscal. O governo tem enfrentado dificuldades para garantir a aprovação das medidas de reequilíbrio das contas públicas, o que levou investidores a adotar uma postura defensiva.
Nesta terça, o Banco Central rolou para 2016 os vencimentos de 8,1 mil contratos de swap que estavam previstos para o início de junho, em um leilão que movimentou US$ 396,5 milhões. A operação é equivalente à venda futura de dólares.
NO VERMELHO
O clima de aversão ao risco também faz a Bolsa cair nesta terça-feira, afetada principalmente pelas ações da Petrobras. A companhia informou que não pagará dividendos (parte do lucro distribuída aos acionistas) neste ano, além de ter colocado à venda seis blocos de petróleo.
"Provavelmente a venda desses blocos não faz parte do modelo de partilha, pois, se fizesse, a companhia não poderia se desfazer deles", disse Ricardo Kim, da XP Investimentos, em relatório. "A empresa espera arrecadar US$ 13,8 bilhões com os desinvestimentos, mas, mesmo assim, tem uma necessidade de caixa, esse ano, da ordem de US$ 13 bilhões", completou o analista.
Às 12h35, as ações preferenciais da Petrobras, mais negociadas e sem direito a voto, perdiam 2,03%, para R$ 12,54 cada uma. No mesmo horário, os papéis ordinários da estatal, com direito a voto, tinham desvalorização de 2,09%, para R$ 13,54.
Com esse desempenho, o principal índice da Bolsa brasileira, o Ibovespa, tinha baixa de 1,57%, para 53.752 pontos. O volume financeiro girava em torno de R$ 2,610 bilhões.
A queda da Bolsa era amenizada em partes pelo bom desempenho da Vale, que via sua ação preferencial subir 1,72%, para R$ 17,65. A companhia refletia positivamente nova alta no preço do minério de ferro negociado no mercado à vista da China –principal destino das exportações da mineradora brasileira.
Com Reuters