segunda-feira, 25 de maio de 2015

Comissão da reforma política deve terminar sem votação de relatório

Agência O Globo

Esvaziada na Câmara, a comissão especial que discute a reforma política deve ser enterrada nesta segunda-feira sem a votação do relatório final produzido após quatro meses de discussões. A reunião marcada para às 14h foi adiada para às 18h, mas integrantes do colegiado acreditam que o encontro sequer chegará a ocorrer.

No mesmo horário, está prevista reunião do colégio de líderes, em que será definida a votação da reforma política diretamente no plenário da Casa a partir desta terça-feira, ignorando o relatório da comissão especial.

O presidente da comissão especial, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), decidiu adiar a reunião sem consultar os demais integrantes. Alguns só foram comunicados quando já estavam em Brasília.

A expectativa agora é de que o relator Marcelo Castro (PMDB-PI) seja destituído do cargo e que Rodrigo Maia seja indicado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para relatar a reforma política diretamente no plenário.

Cunha e Maia têm posição comum a favor do chamado distritão, sistema eleitoral segundo o qual os candidatos mais votados são eleitos para ocuparem as cadeiras na Câmara, sem que seja levado em conta o quociente eleitoral e os votos partidários.

O presidente da Câmara chegou a desautorizar Marcelo Castro e defender sua saída da relatoria quando o piauiense alegou que votaria contra seu próprio relatório, feito sob pressão da cúpula do PMDB.

Outro ponto de discordância entre Eduardo Cunha e o relatório produzido na comissão é sobre o financiamento das campanhas. Cunha defende que haja financiamento privado com doações das empresas a partidos e a candidatos. No relatório, Marcelo Castro define que as empresas só poderão doar aos partidos.

"Parece que já há uma decisão amadurecida de levar a reforma direto para o plenário. Nós não fomos consultados, só comunicados", afirmou o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG), membro da comissão.