Foi uma operação deliberada. Durante o fim de semana, pessoas do governo fizeram contato com economistas de bancos, e os dois lados estavam preocupados. Na segunda-feira, as tensões provocadas pela ausência do ministro da Fazenda Joaquim Levy no anúncio dos cortes no Orçamento, na sexta-feira, foram dissipadas pelo o esforço de comunicação do governo.
Os bancos se preocupavam com o nervosismo do mercado na segunda-feira, com a possibilidade da saída de Levy. Ao governo preocupava o estrago provocado pela ausência do ministro, na sexta-feira.
Levy pediu que avisassem na portaria do Ministério, logo cedo, que daria entrevista caso fosse abordado pelos jornalistas que fazem a cobertura da pasta. Chegou calmamente, falou com a imprensa e deu seu recado ao mercado: continuava no governo lutando pelo ajuste fiscal.
Depois, Levy foi ao Planalto para a reunião do Conselho Político. Passou horas lá. À tarde, deu a entrevista coletiva para afastar de vez a sensação esquisita de problemas na sua relação com o governo, algo que vinha se propagando desde a sexta-feira.
Há, contudo, uma divergência dentro da equipe econômica, que é a mudança nas regras da aposentadoria. A Câmara decidiu por uma mudança de método, em que sai o Fator Previdenciário e entra a relação 85/95 pontos. Se a soma da idade e do tempo de contribuição der o primeiro número, a mulher pode se aposentar com o benefício integral; o mesmo vale para os homens que atingirem 95. Isso facilita o acesso à aposentadoria integral e aumenta o problema da Previdência, com seu déficit crescente.
A mudança entrou como emenda à MP 664. Levy entende que a regra é um péssimo sinal. O dinheiro acabou, ele disse. E a mensagem que a relação 85/95 passa é que as pessoas podem se aposentar mais cedo, em pleno processo de envelhecimento da população.
O ministro Nelson Barbosa, por sua vez, acha que a MP 664 continua sendo válida e que a emenda apenas antecipa o trabalho da comissão criada para discutir as novas fórmulas para a aposentadoria.
Veja o comentário feito no Bom Dia Brasil.
