sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

'O Brasil (só) precisa sobreviver a Lula', por Adalberto Piotto

O país que não desiste de dar certo e resiste ao atraso está determinado a ficar em pé e aguentar os solavancos


Foto: Shutterstock 

Duas são as frases que mais ouço entre investidores, empresários, empreendedores, executivos de grandes empresas e economistas quando o cenário político-econômico é o tema da conversa. E elas passam da dura constatação a estratégias de resiliência. 

Entre os mais otimistas, a observação é definitiva: “Dois anos passam rápido”. Na mesma toada, os que vivem os números das empresas e o estrago que a insegurança jurídica tem provocado são mais comedidos: “Vamos ter de aguentar mais dois anos ainda”. Em suma, ninguém mais conta com nada do que está aí deste governo Lula 3. Ligou-se o modo sobrevivência com investimento estratégico que aguente o barulho momentâneo, porque, antes de o país voltar a respirar normalmente, é preciso aguardar até a eleição de 2026. É sintomático.


Ilustração: Shutterstock

Marcos Troyjo, ex-presidente do Banco do Brics, cuja capacidade de comparação entre as economias do mundo e análise de comportamento de investidores é inequívoca, faz a seguinte comparação:

“Os países mais dinâmicos do mundo estão fazendo de tudo para: 

a) atrair ricos;

b) atrair riqueza; 

c) desregulamentar;

d) desburocratizar; 

e) aumentar a participação da empresa privada em P&D; 

f) fortalecer o mercado acionário interno; 

g) profissionalizar e perseguir excelência em empresas com participação estatal; e 

h) diminuir a carga tributária como percentual do PIB de modo a atrair os elos das redes globais de valor que, sobretudo no setor industrial, estão diminuindo sua exposição a risco na China.” 

E conclui: 

“O Brasil [do governo federal e de seus aliados] está fazendo de tudo para andar na contramão dos itens a, b, c, d, e, f, g e h acima.” 


Marcos Troyjo, no Brasil de Ideias, em Copacabana, no Rio de Janeiro (31/1/2020) | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Eu já falei aqui em desconexão do atual governo com a realidade. Mas, depois de dois anos no poder, a tese da completa incompetência parece mais crível. Ou do desejo de destruir o que os outros fizeram sob a patológica tese da “revolução” para mudar tudo, um anacronismo que enche a alma de populistas como Lula no mundo inteiro, mesmo que acabe por destruir o bem-estar social e a capacidade produtiva, e que resulte em aumento da pobreza, como tudo em que o comunismo e a esquerda latino-americana colocaram as mãos desde o início do século 20. É a causa que importa, não o resultado. 

Não por isso, enquanto escrevo esta coluna, Lula usa o pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão para fazer comício. O Pé-de-Meia — mais uma bolsa para estudantes secundaristas — foi criado como uma pedalada fiscal, e mais dois escândalos atingem o governo, tudo com reprimenda do TCU: o escândalo das marmitas e as fraudes no BPC. Enquanto isso, a primeira-dama vive o deslumbre de uma Maria Antonieta ao lado do “seu marido”. 



Lula recebe beneficiada do Pé-de-Meia no Palácio do Planalto, em Brasília, DF | Foto: Ricardo Stuckert/PR


Voltando ao Brasil que não desiste de dar certo e resiste ao atraso — e falo aqui do país de verdade e que produz, que gera empregos, renda e riqueza, além de pagar as contas descontroladas de um governo perdulário e irresponsável —, está determinado a ficar em pé e aguentar os solavancos. Mesmo que isso signifique trabalhar lamentando oportunidades perdidas como nação pelo atual governo que, por mera e estúpida vaidade pessoal do atual presidente, jogou fora os ganhos dos governos anteriores que transformaram o Brasil num imprescindível celeiro de alimentos do mundo. Esse soft power do Brasil que alimenta 1 bilhão de pessoas no planeta não pode ser ofuscado pela sucessão de malfeitos, inoperâncias e escolhas erradas de gente muito ruim de serviço em postos vitais da administração pública, a começar pela cadeira presidencial. 

Em um post recente em suas redes sociais, o ex-ministro da Economia Paulo Guedes (gestão Bolsonaro, 2019-2022) fala sobre o impacto transversal das novas tecnologias na agricultura, com uso de inteligência artificial, automação e internet das coisas. O aumento da produtividade e a eficiência no uso de defensivos agrícolas, por exemplo, geram ganhos exponenciais ao produtor, ao consumidor e ao meio ambiente. A agenda de crescimento econômico sustentável, revolução da economia verde e melhora das condições sociais é completa e alcança todos os setores. Mas ele faz uma ponderação: criação ou utilização de novas tecnologias demanda conhecimento. Daí que o país precisa se concentrar em formação de capital humano. Ou seja, gente bem treinada e jovens bem-educados em um modelo de escola voltado para a realidade do país e da economia sem os preconceitos das ciências sociais ideológicas da Academia que ofendem quem pensa, produz e quer viver mais e melhor num país com potencial de lhe oferecer muito mais. 

Voltando ao Brasil que não desiste de dar certo e resiste ao atraso — e falo aqui do país de verdade e que produz, que gera empregos, renda e riqueza, além de pagar as contas descontroladas de um governo perdulário e irresponsável —, está determinado a ficar em pé e aguentar os solavancos. Mesmo que isso signifique trabalhar lamentando oportunidades perdidas como nação pelo atual governo que, por mera e estúpida vaidade pessoal do atual presidente, jogou fora os ganhos dos governos anteriores que transformaram o Brasil num imprescindível celeiro de alimentos do mundo. Esse soft power do Brasil que alimenta 1 bilhão de pessoas no planeta não pode ser ofuscado pela sucessão de malfeitos, inoperâncias e escolhas erradas de gente muito ruim de serviço em postos vitais da administração pública, a começar pela cadeira presidencial. 

Em um post recente em suas redes sociais, o ex-ministro da Economia Paulo Guedes (gestão Bolsonaro, 2019-2022) fala sobre o impacto transversal das novas tecnologias na agricultura, com uso de inteligência artificial, automação e internet das coisas. O aumento da produtividade e a eficiência no uso de defensivos agrícolas, por exemplo, geram ganhos exponenciais ao produtor, ao consumidor e ao  meio ambiente. A agenda de crescimento econômico sustentável, revolução da economia verde e melhora das condições sociais é completa e alcança todos os setores. Mas ele faz uma ponderação: criação ou utilização de novas tecnologias demanda conhecimento. Daí que o país precisa se concentrar em formação de capital humano. Ou seja, gente bem treinada e jovens bem-educados em um modelo de escola voltado para a realidade do país e da economia sem os preconceitos das ciências sociais ideológicas da Academia que ofendem quem pensa, produz e quer viver mais e melhor num país com potencial de lhe oferecer muito mais. 

O uso de novas tecnologias na agricultura – como automação, robótica, inteligência artificial, Internet das Coisas e biotecnologia – está revolucionando a produção agrícola, aumentando sua eficiência e promovendo práticas sustentáveis. O impacto dessas inovações é transversal, estendendo-se aos demais setores econômicos, beneficiando também a indústria, o comércio e a logística ao criar um ciclo virtuoso de crescimento e inovação. Por isso é fundamental investir em capital humano, uma vez que a formação de profissionais qualificados é o que garante a maior eficiência no uso dos recursos e assegura a implementação das inovações tecnológicas ao longo de toda a cadeia View more on Instagram  


O Brasil é grande demais para o governo atrapalhar todos, mas concentrado demais em Brasília para atrasar muitos. Então, a estratégia do investidor tem sido encontrar desvios e se manter vivo e operante até 2026. A parte do país que rejeita a UTI política do lulismo e quer viver, investir, porque o mercado com que se relaciona pensa do mesmo jeito e continua demandando, resiste. Por isso, procura por lugares que, apesar de Lula 3, mantêm ambientes favoráveis ao investimento e levam a sério segurança e educação técnica. Esses oásis existem no Brasil. São os Estados comandados por governadores de oposição, sobretudo no Sudeste, no Centro-Oeste e no Sul, com algumas ilhas de exceção em municípios de outras regiões do país em que o pensamento lógico da gestão técnica prevalece. 


Em entrevista recente ao programa Oeste Negócios, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, disse que o Estado alterou a grade curricular para aumentar a carga horária de matemática em 70% e de língua portuguesa em 60%. Pensamento lógico para resolver problemas, e habilidades para se comunicar bem. “Precisamos desenvolver competências” nos alunos, diz ele, inclusive em língua estrangeira, ao explicar que o ensino de inglês foi intensificado e premia os melhores estudantes da rede pública com intercâmbios no exterior. Há combate ao crime organizado com melhora nos índices de segurança pública, que são decisivos para a qualidade de vida das pessoas e também para atrair empresas e novos talentos. E um antídoto ao lulopetismo: segurança jurídica com redução de burocracia, digitalização de procedimentos, agências reguladoras blindadas de interesses partidários e toda uma legislação para garantir segurança jurídica nos contratos, protegendo os investidores dos ventos erráticos da inepta gestão federal ou das decisões, no mínimo controversas, do Supremo Tribunal Federal.

O movimento de governadores e prefeitos de gestão moderna, com visão de progresso — e não “progressista” —, tem funcionado como uma espera num porto seguro até que a tempestade de atraso do atual governo passe. 

Não tem sido fácil. Se o Brasil não é para amadores, exige também que os fortes resistam. E os fortes estão fazendo o seu melhor.  


Adalberto Piotto - Revista Oeste