
Com O Globo e agências internacionais
WASHINGTON - O presidente americano, Donald Trump, anunciará sua decisão sobre o destino do acordo nuclear com o Irã nesta terça-feira, segundo informou pelo Twitter.
"Eu vou anunciar minha decisão sobre o Acordo com o Irã amanhã, na Casa Branca, às 2h da tarde (15h de Brasília)", anunciou o presidente.
Trump tem até 12 de maio para certificar que o Irã está em conformidade com o acordo que visa a conter seu programa nuclear ou para abrir o caminho à retomada de sanções econômicas americanas contra o país. O presidente americano já deu indícios de que deixará o pacto, a menos que ele seja modificado, mas está sob forte pressão das nações europeias para manter o acordo.
França, Reino Unido e Alemanha afirmaram que vão permanecer comprometidos com o acordo nuclear com o Irã, independentemente da decisão de Trump, indicou nesta segunda-feira o ministro francês de Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian. Além de EUA e Irã, assinaram o pacto os três países europeus, Rússia e China, em julho de 2015.
— Estamos determinados a salvar o acordo porque esse pacto protege contra a proliferação nuclear e é a maneira certa de impedir que o Irã desenvolva armas nucleares — indicou o ministro à imprensa em Berlim.
O presidente do Irã, Hassan Rouhani, voltou a dizer nesta segunda-feira que os Estados Unidos irão se arrepender se decidirem se retirar do acordo nuclear, e que o país resistirá ferozmente à pressão americana para que limite sua influência no Oriente Médio.
— Se eles quiserem ter certeza de que não estamos atrás de uma bomba nuclear, dissemos repetidamente que não estamos e não estaremos — disse Rouhani, que orquestrou o acordo nuclear para amenizar o isolamento iraniano, em um discurso transmitido ao vivo pela televisão estatal. — Mas se eles quiserem enfraquecer o Irã e limitar sua influência, seja na região ou globalmente, o Irã resistirá ferozmente.
Ao mesmo tempo, Rouhani indicou que o Irã estaria disposto a não abandonar o acordo ainda que os Estados Unidos saiam, desde que a União Europeia garanta que o país se beneficiará do pacto.
— O que queremos é que o acordo seja preservado e garantido pelos não americanos — disse, em um encontro com funcionários na cidade de Mashhad, no Norte do país. Segundo ele, nesse caso, a "saída americana não representaria problemas".
O acordo em questão foi concluído em julho de 2015, em Viena, entre Teerã e o Grupo 5+1 (China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia e Alemanha), durante a gestão do antecessor de Trump, Barack Obama. No documento, o Irã declara que não procura desenvolver bombas atômicas e concorda em frear seu programa nuclear para garantir que suas atividades não são militares. Em troca, a República Islâmica obteve a suspensão gradual e temporária das sanções internacionais impostas em razão desse programa.
Sem nenhum argumento forte o suficiente contra o acordo, Donald Trump tinha dado aos europeus até 12 de maio para encontrar um novo texto que pudesse remediar as “lacunas terríveis” do atual. Caso contrário, prometeu retirar os EUA do pacto.
Ainda que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ligada à ONU, ateste que o governo iraniano está cumprindo a sua parte no acordo, o republicano critica o fato de o documento estar circunscrito ao programa nuclear do Irã, sem incluir um corte no equipamento bélico convencional, sobretudo mísseis. Além disso, o americano sustenta que, após o prazo que proíbe a construção de instalações nucleares por 15 anos, o Irã retomará tais projetos.
AMPLIAÇÃO DO ACORDO
Os europeus continuam comprometidos com o pacto e, no esforço de manter Washington filiada a ele, querem iniciar conversas sobre o programa de mísseis balísticos iraniano, suas atividades nucleares depois de 2025, quando cláusulas essenciais do acordo vencem, e seu papel nas guerra em curso na Síria e no Iêmen.
O governo do Irã vem rejeitando a redução de sua atuação na região, como exigido pelos EUA e seus aliados europeus. Teerã afirma que seu programa de mísseis é puramente defensivo e que suas ambições nucleares são de natureza exclusivamente civil.
Rouhani disse que a República Islâmica vem sem preparando para qualquer eventualidade, incluindo um acordo sem os EUA –- que incluiria os signatários europeus, a China e a Rússia — ou nenhum acordo.
— Não estamos preocupados com as decisões cruéis da América... estamos preparados para todos os cenários, e nenhuma mudança ocorrerá em nossas vidas na semana que vem — disse o presidente iraniano.