A Fifa afirmou em comunicado que a AEC continua a ser parte do processo de consulta, embora tivesse admitido que está se reunindo com diferentes interessados, entre os quais clubes individuais, federações e jogadores, para "obter os diferentes pontos de vista dos envolvidos e alargar o debate".
"A reunião de hoje nos permitiu observar um interesse real pela reforma da Copa do Mundo de Clubes e pelo desenvolvimento de um novo modelo de competição que beneficiaria toda a comunidade do futebol ao redor do planeta", disse a Fifa.
O lado financeiro do projeto, no entanto, pode não produzir os US$ 25 bilhões que as manchetes e notícias de ampla circulação atribuem como quinhão da Fifa.
Nas conversações iniciais, o consórcio que fez a oferta, e inclui a Centricus Partners, uma companhia de investimentos de Londres, anunciou que o valor máximo só seria desembolsado se uma série de metas de receita fossem atingidas ao longo de períodos de quatro anos entre 2021 e 2033. Os investidores teriam o direito de abandonar a parceria ao final de cada período, caso os retornos não fiquem à altura das expectativas.
Por outro lado, o consórcio, no qual a Fifa deteria 51% de participação, teria o direito de renovar o acordo perpetuamente, por valor equivalente a 120% do montante dos contratos anteriores, caso os torneios tenham sucesso.
Sob a proposta atual, os investidores garantiriam à Fifa US$ 3 bilhões a cada edição da Copa do Mundo de Clubes, em torneios realizados a cada quatro anos. O pagamento pela liga mundial de seleções, cujos torneios seriam realizados a cada dois anos, seria de US$ 2 bilhões, com exceção da primeira dessas competições, que seria realizada com pagamento de apenas US$ 1 bilhão.
Em sua carta a Infantino, com cópia para diversos outros dirigentes do futebol europeu, Ceferin expressou diversas preocupações sobre o conceito, entre as quais o sigilo continuado sobre as identidades dos envolvidos no consórcio. Ele também questionou o impacto das mudanças sobre o calendário já lotado do futebol mundial, e o aspecto econômico da oferta. A carta de Ceferin também alertou a Fifa, significativamente, sobre o risco de perder o controle do esporte para uma entidade comercial.
Quando Infantino revelou a proposta, em uma reunião do conselho da Fifa em março, ele disse que o acordo precisaria ser fechado em 60 dias. Mas os membros da entidade se recusaram a apoiar a proposta, mencionando a natureza misteriosa da oferta e outros preocupações. A oposição deles só cresceu, de lá para cá.
Na terça-feira, uma organização que congrega federações de futebol, chamada World Leagues Forum, liderada pelo chairman executivo da Premier League inglesa, Richard Scudamore, fez um alerta à Fifa, afirmando que o comitê de orientação do fórum "havia concordado em que os planos para estender quaisquer competições que tenham impacto negativo sobre o calendário de jogos já congestionado serão alvo de vigorosa oposição".
A organização também afirmou que resistiria a qualquer mudança que afete o equilíbrio nas competições nacionais. Sob as propostas para a Copa do Mundo de Clubes expandida, 75% da receita total, mais de US$ 2 bilhões por torneio, seria distribuída aos clubes participantes. Os críticos dizem que isso tornaria os clubes já ricos ainda mais poderosos no mercado de contratação de jogadores, e solidificaria seu domínio diante dos rivais nacionais.
Tradução de Paulo Migliacci






























