
Cristiane Jungblut - O Globo
Presidente do Senado critica juiz que autorizou buscas na Casa e ministro da Justiça: ‘chefete da Polícia’
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse na tarde desta segunda-feira que vai entrar com uma ação amanhã para definir competências dos Poderes. Agentes da Polícia Legislativa da Casa foram presos após terem sido acusados de tentar atrapalhar as investigações da Operação Lava-Jato, ao fazer varredura em busca de escutas ambientais em imóveis dos senadores.
— Estou repelindo essa invasão — disse Renan, completando:
—A Polícia do Senado não é invenção de ninguém, como tentam aparentar. É constitucional. De 2013 a 2016, foram 17 varreduras em residências de senadores, a pedido. Fazer varredura para detectar grampos ilegais, a pedido dos senadores, é rotina.
Renan disse que vai ingressar com uma ação nesta terça-feira:
— Amanhã, vamos ingressar com uma ação judicial para fixar as competências dos Poderes. Veja onde chegamos — afirmou o presidente do Senado, que também falou sobre a Operação Lava-Jato:
— A Lava-Jato é sagrada, mas não podemos dizer que não podemos comentar os excessos. Se a cada dia um juiz tomar uma decisão, estaremos passando a um Estado de exceção depois de um estado policialesco, como disse Gilmar Mendes em 2009.
O presidente do Senado fez críticas ao juiz Vallisney Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, que autorizou as ordens de busca e apreensão no Senado.
— Um juizeco de primeira instância não pode, a qualquer precipitação, autorizar uma ação em outro Poder.
Também voltou a criticar o ministro Alexandre de Moraes (Justiça), que disse que os agentes da Polícia Legislativa tinham extrapolado suas funções:
— O ministro da Justiça está atuando como um chefete de Polícia.