segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Dólar cai a R$ 3,12, menor valor desde julho de 2015, com fluxo de repatriação




Juliana Garçon e Rennan Setti - O Globo

Bovespa opera em queda mas segue acima dos 64 mil pontos

O fluxo de recursos trazido pela lei de repatriação e notícias positivas sobre a tendência da economia do país fizeram o dólar fechar nesta segunda-feira no menor valor desde julho de 2015. O dólar comercial recuou 1,35% na sessão, encerrando em R$ 3,121. Na mínima, a divisa chegou a valer R$ 3,119. No mercado acionário, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em queda de 0,13%, mas consegue ainda se manter acima dos 64 mil pontos (64.021).

Com a desvalorização registrada nesta segunda, o dólar comercial, que fechara 2015 valendo R$ 3,95, acumula perda de 21% no ano. A proximidade do fim do prazo da lei de repatriação — 31 de outubro, daqui a uma semana — tem levado a uma forte entrada de recursos estrangeiros, afirmou Alvaro Bandeira, economista-chefe do Home Broker Modalmais. Só até a quarta-feira passada, a Receita Federal já havia arrecadado R$ 18,6 bilhões por meio da lei.

— O dólar pode ceder mais ainda e esbarrar em R$ 3. Porém, não acredito que ficará consistentemente por aí — disse o economista.

Para Solange Srour, economista da ARX Investimentos, o noticiário sobre a economia brasileiro, sobretudo na área fiscal, também vem animando os investidores:

— O comportamento do dólar está diretamente relacionado à expectativa de entrada de fluxo de recursos por conta da repatriação. Mas ele também se dá por conta de fundamentos domésticos. Temos um Banco Central mais comedido no corte de juros, e uma política fiscal conduzida e amparada pela confiança do mercado financeiro. A expectativa de votação sobre a PEC do teto de gastos amanhã, pro exemplo, é bastante positiva. Espera-se também que o governo encaminhe, após as eleições, a reforma da Previdência. Isso tudo representa melhora no ânimo

PETROBRAS SOBE


Após uma semana em que acumulou valorização de 3,79%, o mercado de ações iniciou os negócios observando notícias vindas da China, onde ações de empresas de recursos básicos — incluindo as mineradoras de carvão e siderúrgicas — fecharam em alta, com as notícias sobre redução da capacidade industrial no país dando força às empresas ligadas a commodities, com Petrobras e Vale.

A petroleira brasileira, que anunciou acordo com a francesa Total, tem alta de 1,3%, no papel ON (ordinário, com direito a voto), cotado a R$ 19,57, e de 1,9% no PN (preferencial, sem direito a voto), a R$ 18,29. A mineradora Vale ganha 2,7% na ação PN e 2,26% na ON. Hoje, o minério de ferro avançou 0,95% no porto de Qingdao, no país.
No setor bancário, Banco do Brasil sobe 1,7%. Junto com outras companhias controladas pelo governo, a instituição vem se valorizando graças às perspectivas de melhora na governança corporativa. Bradesco perde 0,89% e Itaú, 0,46%.

O mercado avalia ainda as projeções divulgadas na pesquisa Focus, feita pelo Banco Central, e aguarda para ver, amanhã, ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana passada, indicador de como o Banco Central interpreta os índices de preços. Também amanhã deve ser votada a PEC dos gastos públicos, no período da manhã.

“Após o primeiro corte de juros, mercado se voltará para a ata, para compreender melhor as motivações da instituição. Destaque também na parte doméstica para dados de desemprego e confiança”, diz Celson Plácido, economista da XP Investimentos, em nota. “No exterior, o PIB do terceiro trimestre dos Estados Unidos será acompanhado de perto, para consolidar ou diminuir a expectativa em torno da elevação de juros ainda em 2016.”
Para a semana, a perspectiva é positiva na Bovespa, diz Paulo Figueiredo, diretor da assessoria de investimentos FN Capital.

— Segue em tendência de alta. A gente vê uma valorização de commodities, que impacta positivamente o valor das ações no Brasil — aponta. — Além disso, temos um cenário favorável, de avanços das reformas no Brasil. Também nos EUA há melhora do humor.
Os mercados futuros projetam queda para os juros — os DIs começaram o dia com retração para todos os vencimentos.

MERCADOS INTERNACIONAIS

No mercado internacional, o dólar tem volatilidade, com investidores esperando pelo discurso de autoridades do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que podem dar indicações de como a autoridade monetária avalia as possibilidade de elevar os juros em breve. O Dollar Index Spot, que compara a moeda americana com outras dez divisas, está praticamente estável — com oscilação positiva de 0,02%—, às 13h28, após registrar perde 0,1%.

Os preços do petróleo estão em baixa, após o Irã descartar a participação num acordo, entre os exportadores, para cortar a produção. Em Londres, o barril de Brent, referência para o mercado brasileiro, cai 0,68%, a US$ 51,43. O WTI, negociado em Nova York, perde 1%, a US$ 50,32.

As bolsas internacionais estão em alta, com investidores com os resultados dos balanços.

Nos EUA, os índices registram alta: Dow Jones ganha 0,47% e S&P, 046%. Gigantes como Apple e Boeing devem divulgar seus resultados neste semana.

Na Europa, os mercados estão animados e as bolsas operam com ganhos: o FTSE 100 (Londres) sobe 0,06%, o CAC 40 (Paris) ganha 0,77%. O DAX (Frankfurt) registra alta de 0,81%; o IBEX 35 (Madri) sobe 1,42% e o MIB (Milão) registra valorização de 0,97%.

Os mercados chineses registraram alta de mais de 1% nesta segunda-feira, impulsionados por ações de empresas de recursos básicos diante de sinais de que os esforços do governo para reduzir o excesso de capacidade em indústrias como as de carvão e aço começavam a dar resultados. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, teve alta de 1,21%. O índice de Xangai também subiu 1,21%. O índice Nikkei, de Tóquio, avançou 0,29%. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,98%. Em Xangai, o SSEC ganhou 1,21%. O Kospi, de Seul, teve valorização de 0,73%. Em Taiwan, o Taiex registrou alta de 0,17%. Em Cingapura, o Straits Times valorizou-se 0,90%. Em Sydney, o S&P/ASX 200 recuou 0,40%.