Ana Paula Ribeiro - O Globo
Já a Bolsa brasileira cai 0,54% com avanço de Dilma nas pesquisas de intenções de voto
O aumento da intervenção do Banco Central (BC) no mercado de câmbio teve efeito limitado sobre as cotações nessa quarta-feira, uma vez que os analistas entenderam que a autoridade monetária demorou a tomar essa decisão e que será difícil reverter a alta de 7,6% que a moeda americana acumula no mês. Às 12h01, a moeda americana era cotada a R$ 2,4080 na compra e a R$ 2,4100 na venda, leve alta de 0,04%. Já no mercado acionário, o Ibovespa, principal indicador da Bolsa brasileira, opera em queda de 0,54%, aos 56.235 pontos, em reação à pesquisa do Ibope que mostra que a presidente Dilma Rousseff (PT) aumentou a vantagem em relação à candidata do PSB, Marina Silva, nas intenções de voto do primeiro turno.
Na avaliação de Ítalo Abucater, gerente de câmbio da corretora Icap do Brasil, afirma que o BC demorou a tomar a decisão de elevar a rolagem dos contratos de swap cambial (que equivalem a uma venda de moeda estrangeira) e que agora está difícil conter a tendência altista. Na noite de terça-feira, o BC elevou de 6 mil para 15 mil o número de contratos de swap que vencem em 1º de outubro e que entrarão no programa de rolagens. A medida foi tomada após a moeda americana atingir R$ 2,4080 no fechamento das operações de terça, com alta de 0,54%.
— A pesquisa mostrando o avanço de Dilma também não ajudou. O mercado está com aversão ao PT e junto com isso há uma certeza maior sobre o aumento dos juros nos Estados Unidos. Isso aumenta a procura mundial por dólar. O BC perdeu o timing dessa decisão — afirmou.
Para ele, vai ser difícil alterar a dinâmica do mercado e, independente de quem ganhe as eleições, o dólar deve chegar a R$ 2,50 ao final do ano. Uma das razões é sazonal, já que no final do ano é o período em que as empresas estrangeiras costumam elevar o fluxo de remessas às suas matrizes.
Na avaliação de Ricardo Gomes da Silva Filho, economista da Correparti Corretora de Câmbio, apesar da intervenção, a tendência para a moeda americana é mesmo de alta.
"Mesmo com o reforço de swaps da autoridade monetária local, o câmbio deve apresentar comportamento altista durante a sessão, motivado pelo sentimento de incerteza gerado pela possibilidade de reeleição da candidata do PT", afirmou, em relatório. Já Sidnei Nehme, diretor executivo da NGO Corretora de Câmbio, vê os swaps (que equivalem a uma venda de moeda) como ineficazes nesse momento e que o mercado segue atento ao momento em que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) irá elevar as taxas de juros nos Estados Unidos.
BOLSA OPERA EM QUEDA
Já no mercado acionário, o principal vetor dos negócios é o cenário político, com a disputa pela Presidência da República. Com essa preocupação, as ações de estatais são as mais afetadas. As preferenciais (sem direito a voto) da Petrobras caem 0,44% e as ordinárias (com direito a voto) tem leve alta de 0,36%. Já o Banco do Brasil tem recuo de 1,49%.
A queda só não é maior devido ao comportamento das ações da Vale. Como o preço do minério de ferro não apresentou queda nesta quarta-feira, os papéis da mineradora brasileira começaram a reagir. Os preferencias tem alta de 1,58% e os ordinários sobem 1,05%. No ano, as ações da mineradora acumulam queda de mais de 25%, devido à queda no preço do minério no mercado internacional e à dinâmica da Bolsa brasileira, que tem concentrado suas operações nos papéis atrelados ao “kit eleições” (estatais e bancos).
Diferente do Brasil, os principais mercados no exterior seguem em alta. Na Europa, o DAX, de Frankfurt, sobe 0,56%. O CAC 40, da Bolsa de Paris, avança 0,65%, e o FTSE 100, de Londres, registra alta de 0,11%. Já nos Estados Unidos, o Dow Jones sobe 0,31% e o Nasdaq tem variação positiva de 0,42%.