segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Imóveis de luxo voltam a ganhar fôlego em Nova York

El País

Unidades em novos arranha-céus já ultrapassam US$ 100 milhões e atraem investidores estrangeiros

NOVA YORK - Novos arranha-céus voltam a modificar a paisagem de Manhattan, revelando que a construção civil em Nova York dá sinais de recuperação maior do que em outras partes do país. Prédios como o One57 — hoje o edifício mais alto do país, com 360 metros e 90 pavimentos — ou o 432 Park Avenue e que deve tomar o título quando for concluído — mostram a retomada das construções, especialmente no segmento de luxo.

Cada vez mais, o mercado imobiliário americano atrai investidores de fora. E não apenas
de brasileiros investido em imóveis na Flórida. Tão logo começaram as vendas do One57, duas das maiores unidades foram adquiridas por US$ 95 milhões. A metade dos apartamentos foi comprada por investidores da Europa, Ásia e América Latina. Apesar da valorização, 30% dos apartamentos do prédio continuam vazios.

Após a crise de 2008, o mercado imobiliário registrou um forte impacto, ficando quase totalmente paralisado, na medida em que se tornou inviável a contratação de hipotecas. Seis anos depois, contudo, a dupla torre de cristal do Time Warner não é mais a única silhueta a despontar nos céus da cidade.

O triplex que encima o 520 Park Avenue será realidade daqui a três anos, e já se prevê que seu preço supere os US$ 118,5 milhões. A cobertura do prédio, de 54 pavimentos, tem área de 1.151 metros quadrados. Seu proprietário terá 31 vizinhos, sete dos quais que viverão em duplex de 845 metros quadrados, ao preço de US$ 70 milhões cada.

Nessa região, tomada por parques públicos, a única opção do mercado imobiliário é a verticalização. Prova disso é a construção da Torre Um, um empreendimento comercial de 541 metros em construção no espaço vazio que era ocupado pelas Torres Gêmeas do World Trade Center. Quando concluído, no fim do ano, a Torre da Liberdade, como também é chamada, será a estrutura mais alta do hemisfério Ocidental.

Assim como esses, há uma série de outros projetos em andamento na cidade. A Nordstrom Tower, em Midtown, será o complexo residencial mais alto do mundo. Sua altura vai superar os 426 metros do 432 Park Avenue, os 442 metros do One World Tower, que se constrói em Mumbai, na Índia e os 422 do luxuoso Princess Tower de Dubai. Vizinho na Rua 57, estará outro vizinho imponente, o 111W.

Do fim da crise de 2008 para cá, os preços entraram em uma espiral ascendente. Há três anos, o magnata russo Dimitry Rybolovlev desembolsou US$ 88 milhões pela cobertura do Sandy Welch no número 15 da Central Park West, onde moram o ator Denzel Washington e o presidente do Goldman Sachs, Lloyd Blankfein. A valorização não se restringe à cidade. 

Nesse verão, em Hamptons, refúgio dos novaiorquinos mais endinheirados, uma mansão local foi vendida por US$ 147 milhões, valor recorde nos Estados Unidos.

O cenário de Manhattan, porém, não é representativo do que acontece no mercado imobiliário no resto do país. Apesar de alguns picos de altos e baixos, há mais de um ano as vendas, em geral, não decolam e a alta de preços se nivelou a um dígito. Os negócios hipotecários dos bancos, na verdade, são hoje metade do que eram em 2011 e 2012, como revelam os balanços trimestrais.



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