quinta-feira, 7 de maio de 2020

New York Times: lucro caiu, mas assinaturas digitais cresceram


Sede do New York Times, em Manhattan, Nova York (EUA)

New York Times Company divulgou nesta 4ª (6.mai.2020) seus resultados financeiros do 1º trimestre de 2020. O lucro bruto da companhia no período caiu 21,3% em relação ao mesmo período de 2019, para US$ 27,3 milhões. Na contramão, as assinaturas digitais cresceram 39,6%.

Infográfico sobre os resultados publicados:
Um dos principais fatores que contribuíram para a queda nos ganhos foi o encolhimento de 15,2% na arrecadação com publicidade, em decorrência dos impactos econômicos sofridos por anunciantes durante a pandemia.
Mark Thompson, diretor-executivo da companhia, espera queda ainda mais acentuada nas receitas publicitárias para o 2º trimestre, “entre 50% e 55%, comparado a 1 ano atrás”.
Ele defendeu, no entanto, o modelo de negócios do NYTimes, que começou a cobrar pelo conteúdo on-line em 2011. A lógica é priorizar as assinaturas digitais –para diminuir a dependência de anúncios. Segundo Thompson, esse modelo deixa o jornal “ muito bem posicionado para navegar nesta tempestade e prosperar em 1 mundo pós-pandemia”.
No 1º trimestre, o New York Times teve 587 mil novas assinaturas digitais. Foi o melhor resultado na história da publicação. Ao fim de abril, no total, eram mais de 5 milhões de assinantes apenas da versão digital (que inclui notícias e outros produtos digitais do veículo). Se consideradas as assinaturas impressas, são 6 milhões de pagantes pelos conteúdos do jornal.
Apesar de as assinaturas digitais serem a maioria, o jornal impresso ainda é responsável pela maior parte da receita. No trimestre, as assinaturas do impresso trouxeram US$ 155,4 milhões para a empresa –as do digital, US$ 130 milhões (o que representa crescimento anual de 18,3%). Da mesma forma, os anúncios do impresso arrecadaram US$ 55 milhões, ante US$ 51,2 milhões do digital.
Thompson reforçou a importância do jornalismo durante a pandemia e agradeceu aos funcionários da empresa pelo “trabalho duro e comprometimento neste período difícil”. Em uma chamada com investidores nesta 4ª (6.mai.2020), ele disse que haverá medidas para redução de despesas, mas que os jornalistas devem ser poupados.

US$ 2 POR MÊS

A assinatura digital do New York Times custa (para quem nunca assinou) US$ 2 ao mês por 1 ano. Ou seja, quando se multiplica 3,897 milhões de assinantes por esse valor conclui-se que o jornal fatura nessa plataforma, pelo menos, US$ 7,794 milhões a cada 30 dias. Depois de 1 ano, a assinatura sobe de US$ 2 para US$ 8 por mês.

Pedro Olivero, Poder360