Marcela Mattos - Veja
Agenda da candidata do PSB tenta compensar a ausência na Cúpula do Clima

A candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva (Vagner Campos/MSILVA Online/VEJA)
Após desistir de participar da Cúpula do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), encontro que reunirá grandes chefes de Estado em Nova Iorque na próxima semana, a candidata à Presidência pelo PSB, Marina Silva, destinou a agenda deste domingo para visitar Manaus e proferir discursos voltados contra a política da presidente Dilma Rousseff na área ambiental. Para Marina, o governo da petista não deu sequência às conquistas obtidas enquanto ela esteve à frente do Ministério do Meio Ambiente, como o plano de proteção para a Amazônia, o que levou o país a um retrocesso. Uma das principais defensoras da causa verde, Marina Silva cancelou a ida ao evento da ONU para priorizar seu projeto eleitoral.
"A atual presidente, a medir pelos retrocessos na agenda da conservação e do desenvolvimento sustentável, sinaliza que não acredita que as mudanças climáticas sejam efetivamente um problema real. No seu governo, ela adotou medidas que nos fazem andar para trás. O desmatamento da Amazônia voltou a crescer depois de dez anos de redução, iniciada na minha gestão no ministério", criticou a candidata.
Marina também afirmou que o governo Dilma se omite em fazer parte do esforço global pela preservação ambiental. Segundo a ex-ministra, Dilma recusou-se a assinar um termo mundial de proteção das florestas. “Vários países, mais de trinta, vão ser signatários dessa declaração. O Brasil é um país mega florestal, não faz sentido o governo brasileiro não dar a sua assinatura e o seu compromisso de que irá preservar as nossas florestas”, afirmou.
Embora tenha criticado a postura da presidente sobre o evento, Marina desistiu de participar da conferência ambiental para dedicar-se à reta final da campanha. Em queda nas pesquisas, a equipe da socialista avaliou que a candidata não poderia abrir mão de três dias para dedicar-se a eventos que não estariam diretamente vinculados à eleição. Questionada pelo site de VEJA se não avaliava que sua presença seria importante para pressionar por mudanças nas políticas ambientais que defende, Marina disse que “não tem função institucional” e pode apresentar suas propostas “de qualquer lugar”.
Neste domingo, Marina buscou mostrar-se flexível com o agronegócio, setor que tem conhecida resistência a ela, e afirmou que “há lugar para todos no Brasil”. “É possível crescer nesse setor que é o mais forte da nossa economia gerando empregos verdes e combatendo a degradação ambiental”, disse. Entre as propostas apresentadas, a candidata prometeu o aumento da proporção de energia renovável na matriz energética, a recuperação da vitalidade da produção de biocombustíveis e a implantação das concessões florestais com fins energéticos.
Na floresta – No evento deste domingo, Marina se sentiu “em casa”. A candidata pelo PSB deu início à agenda no Museu da Amazônia, área da floresta que reúne diversas espécies de árvores e exposições de animais da região. A candidata andou por entre as trilhas, ouviu explicações sobre as plantas e participou de ato ao lado de ambientalistas, que lhe entregaram uma série de reivindicações para o setor. Aos expositores, Marina foi apresentada como a “mulher da floresta”.
Em uma adaptação à Lei da Ficha Limpa, que proíbe a eleição de políticos condenados na Justiça, Marina aderiu ao movimento Ficha Verde, do qual também faz parte o candidato ao governo do Amazonas pelo PSB, Marcelo Ramos. “Tem o Ficha Limpa para combater a corrupção e tem o ficha verde para combater a degradação ambiental”, comparou.
No Amazonas, Marina busca conquistar o eleitor manauara, que ainda tem preferência pela presidente Dilma. Esta foi a primeira – e possivelmente a última – agenda da candidata na região Norte do país desde que assumiu a disputa presidencial.