Blog Reinaldo Azevedo - Veja
Desastre histórico – O improviso como método
Na entrevista coletiva que concedeu, Felipão não admitiu em nenhum momento que errou na escalação do time — tanto é assim que, com as alterações, o vexame no segundo tempo ao menos, foi menor. Ele tem um modo muito particular de ver as coisas, que eu definiria, deixem-me ver, como autocrático-estúpido-fatalista.
É autocrático porque, oh, oh, bate no peito e chama para si a responsabilidade. Vá lá… só faltava jogar tudo nas costas dos jogadores, embora estes não possam e não devam se eximir. É estúpido porque, ao longo de seis partidas, nós só o vimos mudar de ideia quando, santo Deus!, o Brasil perdia por… CINCO A ZERO. E é fatalista porque ele está convicto de que nada havia a fazer.
Atenção! Há uma diferença muito grande entre chamar para si a responsabilidade e admitir o erro. Ainda que pareça piada, e parece, Felipão tentou ser mais “ofensivo” hoje do que nos cinco jogos passados — e decidiu sê-lo justamente contra a Alemanha, a mais arrumada das equipes com as quais o Brasil jogou nesta Copa. O placar está aí. Mas volto a esse particular daqui a pouco.
Quero me fixar num aspecto de sua entrevista. Indagado se Neymar teria feito a diferença em campo, ele até deu uma resposta correta: muito provavelmente, não teria conseguido impedir a vitória da Alemanha porque, atenção para o que vai entre aspas, “ele (Neymar) não teria como defender aquelas jogadas trabalhadas”.
Ah, bom! Então a Alemanha tinha o que nunca tivemos: jogadas trabalhadas. E pôde exercitá-las com desassombro, não é mesmo?, porque o time brasileiro permitiu. Quando a Seleção Brasileira venceu a de Camarões, no dia 23, escrevi o seguinte:
E isso, obviamente, não mudou. A rigor, nunca existiu um time, o que o talento de Neymar sempre serviu para esconder. O garoto teria feito a diferença? Talvez o placar fosse menos vexaminoso, mas não custa lembrar que, até se machucar, ele fazia uma péssima partida contra a Colômbia.
Desculpem-me pela severidade, mas esse negócio de general que fica assumindo a derrota não me comove. Sim, é melhor do que jogar a culpa dos ombros alheios, mas isso não elimina seus erros.
Desastre histórico – O que este blog escreveu no dia em que Felipão foi nomeado técnico, com Parreira de “vice”. Ou: Brasil precisa de técnico; quem precisa de “pai” são os órfãos…
Estou assistindo à entrevista de Felipão. Já trato de algumas sandices lógicas que ela está a soltar pelos cotovelos. Não sou um especialista em futebol, mas sei quando as palavras não fazem sentido.
No dia 28 de novembro de 2011, escrevi um post sobre a sua nomeação para comandar a Seleção, na companhia de Carlos Alberto Parreira. É este que segue.
Muito bem! A Seleção passou a ganhar os jogos, levou a Copa das Confederações, e, evidentemente, passei por mau profeta. Alguém dirá: “É fácil criticar o derrotado e elogiar o vitorioso”. Pois é… Felipão nunca foi do meu agrado — e não apenas porque não fazia sentido pegar um técnico que tinha ido para a segunda divisão e mandá-lo para o cargo mais importante do futebol.
Não gosto do modo como ele pensa. Não tenho simpatia nenhuma por essa cascata de “Família Scolari”. Esse negócio de “paizão” ou “tiozão” que trata a “molecada” como menores irresponsáveis, sempre a depender de um coroa meio rabugento, é uma coisa, digamos, tão… latina! Na esfera psicológica, remete-me a coisa pior, de que me dispenso de tratar aqui. Seja como for, não faz pessoas autônomas.
Vamos convir: nos 12 tempos que jogou nesta Copa, o futebol brasileiro só apareceu, ainda que de modo meio atrapalhado, no primeiro tempo contra a Colômbia. E olhem que a agressão covarde de que o Neymar foi vítima escondeu um fato escandaloso para quem pretende estar entre as melhores seleções do mundo: foram 54 faltas ao longo do jogo, 31 cometidas pelos brasileiros. Ninguém fraturou a vértebra de James Rodríguez, felizmente! Mas ele apanhou mais do que Neymar. O Chile não era a equipe que menos batia. Mesmo assim, o Brasil, campeão em faltas até aqui, cometeu 28 infrações contra 23.
Vale dizer: a Seleção Brasileira não teve medo nenhum de jogar feio — o que as equipes de Telê Santana, lembram-se?, não sabiam fazer. Felipão só não conseguiu fazer o time jogar bonito.


