Lucianne Carneiro - O Globo
Fraco desempenho do setor de automóveis é a principal influência
A produção industrial brasileira acumula perda de 4,5% desde outubro do ano passado, apontam os dados do IBGE. Foi nesse mês que iniciou o período mais marcado de quedas da indústria, segundo o gerente da Coordenação de Indústria do IBGE, André Macedo:
— No conjunto, esse comportamento da redução da atividade industrial não é só de maio nem só dos últimos três meses. Após o soluço de agosto e setembro, há um comportamento de queda bem marcado na indústria. Nesses últimos oito meses o saldo da indústria está negativo como um todo em 4,5%.
A indústria se encontrava, em maio, em patamar 5,5% abaixo de seu pico de produção, atingido em maio de 2011. Em maio, a indústria recuou 0,6% frente a abril, na terceira queda seguida.
A maior influência para o desempenho da indústria tem sido o setor de veículos automotores, embora haja disseminação de taxas negativas em diferentes setores de atividade. A produção do segmento caiu 3,9% em maio, após recuo de 0,7% em abril e 6,5% em março, considerando a comparação com o mês anterior.
— O setor de veículos automotores exerce a principal influência negativa não só pela magnitude do recuo, como pelo peso na indústria. Mas há um predomínio de taxas negativas — disse Macedo.
Redução de exportações, com destaque para Argentina, e demanda interna mais fraca, com efeito de crédito mais caro e comprometimento da renda das famílias, são alguns dos fatores que contribuem para esse cenário, segundo ele. Macedo reconhece também que pode haver um certo esgotamento da demanda.
O recuo de veículos automotores afeta a produção de bens de consumo duráveis e de bens de capital.
Em bens de consumo duráveis, a produção tem sido afetada por automóveis e também pela redução no ritmo de alta de eletrodomésticos. O crescimento, que tinha sido de 23,8% entre janeiro e março, passou a 17,4% entre janeiro e maio.
Esse segmento vinha sendo sustentado principalmente pela linha marrom, com alta por causa das televisões sendo produzidas para a Copa do Mundo, mas passou a mostrar arrefecimento em maio. O produto responde por 85% da linha marrom. A taxa de crescimento da linha marrom em maio foi de 9,8%, frente a maio do ano passado, após taxas de 20,9% em abril e 41,9% em março.
Já o segmento de móveis – que teve prorrogação na alíquota reduzida do IPI – caiu 9,1% em maio, 14,4% em abril e 10,9% em março, sempre na comparação com igual mês do ano anterior.
— Embora tenha ainda redução de IPI e o programa Minha Casa Melhor, isso não vem surtindo muito efeito para o setor (de móveis) ou é muito menor que no passado. Há predominância de resultados negativos — afirmou.
IMPACTO DA GREVE NO IBGE É PEQUENO
Segundo André Macedo, a greve dos funcionários do IBGE tem algum impacto no processo de trabalho, mas a pesquisa da indústria tem um componente diferente, já que os questionários são respondidos por via eletrônica pela maioria das empresas. Assim, a falta de informações está dentro da média histórica, entre 3% e 4%.
— Claro que todo movimento de greve tem impacto no processo de trabalho, mas nada que tenha impedido fazer a divulgação com a qualidade que a gente sempre divulgou.