Antônio Werneck - O Globo
Bilhetes estavam com advogado tido como braço paulista dos cambistas
Uma empresa venezuelana de beneficiamento de suínos, que aparentemente não trabalha com atividades esportivas, teve ingressos em seu nome apreendidos com cambistas durante a operação Jules Rimet, desencadeada na semana passada pela Polícia Civil do Rio, levando à prisão 11 pessoas, suspeitas de fazerem parte de uma rede internacional. A Plumrose Latinoamerica foi fundada em 1992 na Venezuela, como subsidiária da empresa dinamarquesa EAC multinacional (The East Asiatic Company Ltd. A / S).
Os ingressos estavam em poder do advogado José Massih, considerado o braço paulista da quadrilha de cambistas chefiada pelo argelino naturalizado francês Mohamadou Lamine Fofana. Os ingressos estão sendo analisados pela Polícia Civil. Fofana tinha acesso a áreas exclusivas da Fifa no Mundial.
Durante o depoimento aos policiais e ao promotor Marcos Kac, Massih disse que conheceu Fofana quando atuava como empresário do jogador Elano e tentava levar outro atleta para jogar nos Emirados Árabes. Massih afirmou que não tem envolvimento com a venda ilegal de ingressos. Contudo, na página internacional da empresa do franco-argelino, ele aparece como advogado do grupo. Além da Plumrose, os policiais encontraram com os cambistas ingressos das empresas Pamodzi Sports Marketing e da Reliance Industries Ltda. Os ingressos estão sendo analisados pela Polícia Civil.
Plumrose trabalha principalmente com o beneficiamento da carne de suínos, mas produz alimentos feitos a partir de galinha e peru. Já a Pomodzi Sports é da Nigéria, mas atua em eventos esportivos também no Senegal. E a Reliance Industries é indiana, controlada pelo indiano Mukesh Ambani, considerado pela revista “Forbes” o terceiro homem mais rico do mundo, com uma fortuna calculada em US$ 29 bilhões. Alguns dos ingressos estão em nome de pessoas físicas ainda não identificadas.
Na semana passada, a Fifa revelou que foi informada pela Polícia Civil do Rio de que 59 dos ingressos apreendidos com uma rede de cambistas, chefiada pelo argelino Fofana, estão em nomes de apenas duas das 30 agências credenciadas pela Match, empresa que lidera a venda de pacotes de hospitalidade e camarotes da Copa do Mundo-2014: a Pamodzi Sports e a Jet Set Sports, fornecedor exclusivo para a Rússia, a Suécia e a Noruega. As duas tiveram seus nomes gravados nos ingressos apreendidos e já foram chamadas a dar explicações.
A polícia também informou que foram encontrados bilhetes de hospitalidade em nome da Reliance e da Atlanta Limited, dos Estados Unidos, sublicenciadas para a venda de pacotes de hospitalidade e de ingressos. A Atlanta seria de propriedade de Fofana.