segunda-feira, 14 de julho de 2014

Copa da dupla Lula-Dilma custa aos nossos bolsos R$ 8 bi em estádios e R$ 16 bi em outras obras; falta acabar 18%

Sílvio Guedes Crespo - UOL


Os recursos contratados para as obras para a Copa do Mundo 2014 somaram até o momento R$ 23,45 bilhões, incluindo estádios e outras obras, e foram bancados pelos governos federal, estaduais e municipais e, em menor grau, por empresas concessionárias.
Desse valor, R$ 7,8 bilhões correspondem à construção ou reforma dos 12 estádios e R$ 15,6 bilhões se referem a outras ações, como mobilidade urbana, aeroportos e portos.
Os números se referem às informações mais atuais à disposição no Portal da Transparência. Diversas obras ainda não ficaram prontas, de modo que o custo pode aumentar. A previsão mais recente do governo é de que chegue a R$ 25,6 bilhões.
Ao todo, o grau de execução física das obras é de 82% de acordo com os dados mais recentes, ou seja, restam 18% a serem terminados.
ObrasRecursos contratados (R$ milhões)% de execução física
Estádios                                  7.817100%
Aeroportos                                  6.08972%
Mobilidade urbana                                  7.25068%
Outras                                  2.29690%
TOTAL                               23.45182%
Fonte: Controladoria-Geral da União
Existe uma diferença entre o percentual de execução física e o de obras concluídas.
O percentual de execução física se refere a quanto de uma obra foi realizado, mesmo que ela não tenha sido inaugurada. O percentual de obras concluídas corresponde a quantas ações foram 100% concluídas, em comparação com número total de ações.
Por exemplo, se tivéssemos apenas duas obras na Copa, com o mesmo custo, sendo que uma teria sido 100% concluída e a outra estivesse pela metade, então o percentual de execução física seria de 75% e o de obras concluídas seria de 50%.
Vale acrescentar que o percentual médio de execução física é ponderado pelo valor contratado para a obra. Quanto mais caro o empreendimento, maior o peso que ele terá na média. Por exemplo, se temos duas ações, sendo que uma foi 40% executada e outra foi 60%, a média de execução não será necessariamente de 50%. Vai depender de quanto cada uma custou. Se a primeira vale R$ 100 milhões, e a segunda, R$ 50 milhões, a média de execução física será de 47%.
Veja abaixo qual foi o volume de recursos contratados para cada tipo de obra e qual o percentual médio de execução física. Aqui, os dados estão agrupados por tema. No próximo post desta série sobre a Copa, o blog falará sobre as obras mais caras em cada modalidade, informando também qual é o órgão responsável pela realização.
As ações que foram abortadas sem que se tenha contratado nenhum recurso não estão incluídas no cálculo. Nos casos em que foram contratados recursos mas não há informação sobre o percentual de execução da obra, o dado foi incluído apenas na coluna “Recursos contratados” e não foi considerado na média geral de percentual de execução.
Estádios
Cidade-sedeRecursos contratados (R$ milhões)% de execução física
Belo Horizonte                       678100%
Brasília                    1.438100%
Cuiabá                       59697%
Curitiba                       23483%
Fortaleza                       519100%
Manaus                       65199%
Natal                       40091%
Porto Alegre                       33099%
Recife                       385100%
Rio de Janeiro                    1.077100%
Salvador                       689100%
São Paulo                       82093%
TOTAL                    7.81798%
Fonte: Controladoria-Geral da União. Elaboração própria

Aeroportos
Cidade-sedeRecursos contratados (R$ milhões)% de execução física
Belo Horizonte                       48050%
Brasília*                    1.133-
Cuiabá                       11171%
Curitiba                       29841%
Fortaleza                       40516%
Manaus                       35289%
Natal*                       164100%
Porto Alegre                       27916%
Recife0-
Rio de Janeiro                       42570%
Salvador                       13970%
São Paulo                    2.30393%
TOTAL                    6.08972%
* Em Brasília, não há dados suficientes que permitam calcular a média de execução física das obras.** Em Natal, há duas ações no aeroporto. Para uma delas, não há informação atualizada sobre o valor contratado nem o percentual de execução da obra. Foi considerada neste cálculo apenas a obra para a qual há dados

Mobilidade
Cidade-sedeRecursos contratados (R$ milhões)% de execução física
Belo Horizonte                    1.17593%
Brasília                          4340%
Cuiabá                    1.59351%
Curitiba                       34480%
Fortaleza                       61740%
Manaus0
Natal                       3245%
Porto Alegre*                          33-
Recife                       84881%
Rio de Janeiro                    1.70282%
Salvador**                          2177%
São Paulo                       54955%
TOTAL                    7.25068%
* Não há informação atualizada do percentual de execução de uma das obras em Porto Alegre. Por isso, esta tabela exclui a cidade do cálculo da execução média
** Não foi informado o valor contratado das obras de mobilidade em Salvador e São Paulo, por isso os números citados se referem ao custo previsto

Outras obras
A maior parte das obras da Copa pode ser dividida em reforma ou construção de estádios, reforma de aeroportos e ações de mobilidade urbana. Há, no entanto, algumas que não se encaixam nesses três grupos.
Entre elas estão ações de segurança pública, para as quais foram contratados R$ 504 milhões, e ações nacionais no setor de telecomunicações, ao custo de R$ 260 milhões.
Também há obras nos portos de Santos (R$ 274 milhões), Fortaleza (R$ 175 milhões em recursos contratados), Manaus (R$ 4,6 milhões), Natal (R$ 92 milhões), Recife (R$ 28 milhões) e Salvador R$ 31,2 milhões).