Defesa de Fábio Luís afirma que a permanência dele em Madrid se apoia em um vínculo de trabalho. Mas se recusa a dizer qual, ao alegar privacidade
O que mantém Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, com permissão para residir na Espanha é um emprego, afirma a defesa do filho do presidente a Oeste. Questionado sobre a denúncia que pede à Justiça espanhola para investigar se a empresa de Lulinha seria de fachada e se ela teria ligação com a residência dele no país, o advogado Marco Aurélio Carvalho respondeu que a permanência do brasileiro em Madrid não depende da companhia, e sim de um vínculo de trabalho. Só não diz qual.
“A presença dele em Madrid não está vinculada a essa empresa”, declarou Carvalho. “É um outro vínculo de trabalho, que não está associado a essa empresa.” A autorização de residência, segundo ele, é regular e independe da Synapta — a firma que Lulinha abriu em janeiro e que a própria defesa admite estar inativa. “Há cobertura da legislação espanhola para manter a empresa inativa”, diz o advogado, que descarta qualquer irregularidade.
Ao se negar revelar qual o vínculo empregatício do filho de Lula, Carvalho diz que Lulinha “quer ter algum grau de privacidade” e que não pretende torná-lo público. Garante apenas que o trabalho “não tem relação direta ou indireta com qualquer tema de interesse do governo brasileiro”, e promete que, “no momento oportuno”, o cliente dará “as explicações necessárias”.
O advogado também contesta a imagem de vida abastada. Ao contrário do que noticiou a imprensa, o advogado enfatiza que Lulinha não mora no condomínio de luxo El Jardín de La Moraleja, em Madrid. “Não vive nesse imóvel, e no momento oportuno vai fazer prova disso”, diz. Para Carvalho, o filho de Lula “tem uma vida simples, sem luxo” e vive “com o resultado dos esforços do próprio trabalho”.
Lulinha é alvo de três inquéritos no STF
Lulinha é alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) — dois com André Mendonça e um com Flávio Dino — por suspeita de tráfico de influência em negócios com o governo federal. Mudou-se para Madrid em meados de 2025, enquanto era investigado no Brasil.
Yasmin Alencar - Revista Oeste