Empresas acumulam R$ 232,9 bilhões em dívidas; micros e pequenos negócios representam 95% dos devedores
A inflação e a taxa Selic, que permanece em dois dígitos desde 2022, encarecem o crédito | Foto: IA
A inadimplência empresarial atingiu o maior nível da série histórica em junho. Dados da Serasa Experian mostram que 9,1 milhões de CNPJs estavam negativados no período, com R$ 232,9 bilhões em dívidas. Os dois indicadores são os maiores desde o início da série, em 2016.
Em maio, eram 9 milhões de empresas devedoras, com R$ 229,9 bilhões em débitos. Em média, cada CNPJ negativado acumula 7,3 contas em atraso, no valor médio de R$ 25.508,96.
As micros e as pequenas empresas concentram 8,7 milhões dos devedores, o equivalente a 95% do total. O setor de serviços responde por 55,7% dos casos, seguido pelo comércio, com 32,2%.
Endividamento das famílias pressiona empresas A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, relaciona o cenário ao endividamento das famílias e ao aumento das recuperações judiciais. O número de pessoas físicas negativadas chegou a 83,9 milhões em julho. O comprometimento da renda familiar com parcelas e contas básicas alcança 74,6%. Entre as faixas de menor renda, o índice chega perto de 90%.
O comprometimento da renda familiar com parcelas e contas básicas alcança 74,6%. Entre as faixas de menor renda, o índice chega perto de 90%.
A inflação e a taxa Selic, que permanece em dois dígitos desde 2022, também encarecem o crédito. Desde março, o Banco Central reduziu a taxa básica em um ponto porcentual, de 15% para 14%.
O ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Pereira, cita programas de renegociação. O Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) realizou 185 mil repactuações, que somam R$ 26 bilhões. Já o ProCred360 registrou 47 mil negociações, no total de R$ 2 bilhões.
Letícia Alves - Revista Oeste