A Academia Sueca destacou seu trabalho na obra Sátántangó
A Academia Sueca anunciou que o autor László Krasznahorkai é o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2025. No anúncio realizado nesta quinta-feira, 9, em Estocolmo, o escritor húngaro foi destacado “por sua obra instigante e visionária que, em meio ao terror apocalíptico, reafirma o poder da arte”. Seu livro mais conhecido é Sátántangó, publicado pela Companhia das Letras no Brasil.
O Nobel de Literatura é um dos prêmios mais aguardados do calendário da Academia Sueca. Ele busca reconhecer autores que, segundo o testamento de Alfred Nobel, produziram “a obra mais notável em direção ideal”.
O vencedor recebe uma medalha, um diploma e uma quantia em dinheiro que, neste ano, é de 11 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6,2 milhões). Este é o 117º prêmio literário concedido pela academia desde 1901.
Ao todo, apenas 18 mulheres receberam o Nobel de Literatura — a mais recente foi a sul-coreana Han Kang, laureada em 2024. Sobre a obra de László Krasznahorkai, laureado com o Nobel da Literatura Publicado em 1985, Sátántangó é o romance de estreia do escritor húngaro László Krasznahorkai.
Críticos e leitores a consideram uma das obras mais emblemáticas da literatura do Leste Europeu no fim do século XX.
O trabalho foi escrito durante os últimos anos do regime comunista na Hungria. Nele, o laureado com o Nobel da Literatura retrata a desintegração moral, social e espiritual de uma pequena comunidade rural isolada, mergulhada em miséria e desesperança. Naquele contexto histórico, o país enfrentava escassez dos bens de consumo e censura nas artes, por exemplo.
A Academia Sueca destaca Krasznahorkai como um “grande escritor épico”, encaixando-o em uma tradição literária que remonta ao tcheco Franz Kafka. Ela destaca na escrita do autor características como o “absurdo” e o “excesso grotesco”, comum em obras atreladas à literatura pós-modernista.
Em 1994, o diretor Béla Tarr adaptou Sátántangó para o cinema. O longa-metragem, com duração de sete horas e meia, segue a estrutura narrativa do livro. Ambos dividiram a história em doze partes, sem se ater à ordem cronológica. Além disso, os húngaros se inspiraram na própria estrutura do tango, citado no título. Na dança, os participantes podem seguir um esquema de seis passos, com “dois para frente, dois para trás e dois para o lado”.
Revista Oeste