domingo, 30 de junho de 2019

Rio tem manifestações pró-Lava Jato em Copacabana


Foto: Wilton Júnior/Estadão

Apoiadores do governo Jair Bolsonaro ocupam desde um pouco antes das 10h cerca de seis quadras da Avenida Atlântica, em Copacabana, em ato de apoio ao ministro da Justiça, Sérgio Moro. A manifestação tem oito carros de som, dois guindastes com grandes bandeiras do Brasil e palavras de ordem contra o STF, o Congresso e o PT.
As manifestações deste domingo são organizadas pelos Movimentos Vem pra RuaBrasil Livre e Nas RuasOrganizadores preveem concentrações em 203 cidades do Brasil. Em São Paulo, a manifestação está marcada para as 14h e deve ocorrer na Avenida Paulista.
Patrocinado pelos mesmos movimentos que estavam ao lado de Bolsonaro na campanha eleitoral – MBL, Vem pra rua e Endireita Brasil -, o manifesto nascido pra apoiar o ministro da Justiça, Sergio Moro, acusado pelo site The Intercept Brasil de abuso de poder na Operação Lava Jato, tem como uma das trilhas sonoras o MC Reaça, que se suicidou após espancar a amante, revezando espaço com o Hino Nacional e as palavras de ordem como “O STF é uma vergonha” , “Rodrigo Maia se acha 1º ministro”, “Fora PT e a velha política”.
Foto: Wilton Júnior/Estadão
De acordo com um dos coordenadores do MBL, Carlos Eduardo Moraes, o evento ficará parado e tem por objetivo chamar também a atenção para a necessidade da aprovação da Reforma da Previdência, além de apoio ao decreto das armas e a redução da maioridade penal. A previsão é de que o evento dure pelo menos toda a manhã, segundo Moraes.
Foto: Mauro Pimentel/AFP

Tensão

A presença de carros de som e de integrantes do movimento MBL na manifestação, no entanto, está sendo criticada por boa parte dos apoiadores do ex-juiz e chegou a causar um pequeno tumulto que precisou da intervenção da polícia.
Apesar de rapidamente solucionado, o clima contra o MBL é tenso e eleitores do Bolsonaro que não fazem parte do movimento fazem questão de gritar “traidores” e “vendidos” ao passar pelos carros de som patrocinados pelo movimento antes liderado pelo hoje deputado federal Kim Kataguiri.
De acordo com o técnico em segurança do trabalho, Henrique Andrade, 44, uns dos que gritavam em frente ao carro de som contra o MBL, o movimento mudou depois que assumiu cargos públicos e agora “estariam se vendendo” no Congresso.
“Eu acompanho o MBL desde o começo e não reconheço mais, estão se vendendo pro Freixo, pro Eduardo Cunha, pro Rodrigo Maia”, disse ao Estado.”Eles (MBL) vão ter que fazer muito para limpar a barra deles com a gente”, completou. Outra crítica ao MBL é de que não compareceu à última manifestação de apoio a Bolsonaro. Andrade também defendeu Moro contra as acusações feitas pelo site Intercept e afirmou que “os fins justificam os meios”, dando respaldo ao suposto abuso do poder de Moro denunciado pelo veículo.
De cima do carro de som, representantes do MBL criticaram a “divisão que a direita quer fazer” e colocaram em seguida músicas em linha com os apoiadores do ex-capitão, como a que diz que “só quer uma arma pra se defender” seguida de “o Congresso Nacional, a vergonha do Brasil”, que também critica o STF.

Denise Luna, O Estado de São Paulo