domingo, 25 de dezembro de 2016

Pais tiveram de ir à Justiça para educar filhos em casa

Isabela Palhares - O Estado de São Paulo

Desembargador Nino Toldo, do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região, acolheu pedido de liminar em habeas corpus em favor de Alfredo Buso, secretário de obras de São Bernardo do Campo

O casal de pedagogos Luiz Carlos e Tayane da Silva nunca haviam pensado na possibilidade de educar os filhos em casa. As crianças foram para a escola aos 7 anos, conforme obrigatório na época, em uma escola confessional católica. Mas, já nos primeiros meses, a família percebeu que o ensino não era o que esperavam para a formação dos filhos.
Foto: Divulgação
Pais tiveram de ir à Justiça para educar filhos em casa
A escola se negou, e o caso foi encaminhado para o Ministério Público
“Ficamos muito insatisfeitos com a condução instrucional do ensino, não concordávamos com a metodologia. E também com a formação moral, nós escolhemos a escola católica especialmente por acreditar que estava em consonância com nossos valores morais, mas não foi o que aconteceu”, diz Silva, que é professor do departamento de Educação da Universidade Estadual de Maringá (UEM).
As crianças, então com 7 e 8 anos de idade, só assistiam televisão por alguns minutos em alguns dias da semana. Silva conta que na escola as crianças comentavam sobre programas e novelas que assistiam e que ele considerava inadequados para os seus filhos. “A gente começou a ver que poderíamos perder o controle sobre a educação que queríamos dar”.
Eles mudaram os filhos para uma escola pública, mas, segundo ele, foi uma “tragédia total”. “As crianças ficaram 15 dias nessa escola e os problemas se potencializaram.”
Foi então que decidiram educar os filhos em casa e tentaram um acordo com a direção da escola para que enviasse o programa de ensino e comunicasse sobre os dias de avaliação. A escola se negou e o caso foi encaminhado para o Ministério Público.  “Nessa hora vi que tentavam nos tirar pátrio poder. Constituímos um advogado e entramos na luta para conseguir educar da maneira que achamos mais adequado e o juiz nos autorizou”, conta.
Segundo Silva, para complementar o homeschooling as crianças foram matriculadas em atividades esportivas e musicais para o desenvolvimento social. “As atividades fora de casa nos ajudaram a entrar numa rotina e permitiram que eles fizessem várias amizades”.
Lucas e Júlia, que tem agora 18 e 17 anos, respectivamente, se preparam para o vestibular. Ela quer Medicina e ele, Direito. Lucas vai começar a frequentar um cursinho vestibular e Júlia, está estudando em casa com a ajuda de um professor particular de Biologia e Química.
Dedicação. Para ele, a educação domiciliar é um direito “inalienável” dos pais, mas hoje é tratado de forma desrespeitosa pelas autoridades. “São pessoas que se dedicam para dar uma educação de qualidade e sofrem ameaças, pressão, constrangimento por professores e autoridades”.