segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Pacote divide políticos e Meirelles, mas Temer impõe "Novo Refis"

Jorge Bastos Moreno - O Globo


Depois de enfrentar uma forte resistência dentro da sua própria equipe econômica, o presidente Michel Temer conseguiu finalmente impor o chamado "Novo Refis" ( renegociação das dívidas das empresas com a Receita ), que constará já do pacote de dez medidas microeconômicas que o presidente anunciou ao Globo, como forma de reduzir os efeitos da recessão e acalmar os políticos e o mercado, insatisfeitos com Henrique Meirelles.
O pacote de medidas econômicas foi um dos principais temas das sucessivas reuniões realizadas ontem no Jaburu e na residência do presidente da Câmara, como forma de reagir à crise política, agravada agora pela delação da Odebrecht. A palavra de ordem agora é dizer que o governo não para nem diante da crise.
Só que o anúncio oficial desse pacote depende de um entendimento entre as propostas da área política e as reações da equipe econômica, que, paradoxalmente, está sendo a parte passiva dessa negociação --- ela é refratária a esse pacote, principalmente nas questões do uso do FGTS para o pagamento das dívidas do trabalhor e a redução dos compulsórios para as empresas. Por isso, parte substancial desse pacote está sendo concebida no gabinete do líder do governo no Congresso, Romero Jucá. Jucá, que já ocupa informalmente o ministério do Planejamento, do qual nunca se afastou, está assumindo as rédeas de toda a política econômica do governo. Tanto que nas conversas de ontem no Jaburu, apesar de ter tido sua presença anunciada, Meirelles não esteve presente em nenhuma delas. E olha que, em todas elas, as discussões foiram todas ela em torno da política econômica.