
Num dia de agenda econômica fraca no Brasil, as tensões vindas de Brasília e valorização do petróleo dão o tom ao mercado brasileiro. O dólar, que abriu em alta e atingiu R$ 3,409, passou a cair e vale R$ 3,342, com depreciação de 0,9%. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu com queda, e o Ibovespa, principal índice de pregão, opera com desvalorização de 1,12%, a 59.815 pontos.
Com a delação de um ex-diretor da Odebrecht que atingiu o governo Michel Temer, aumentam os temores em relação ao andamento das medidas fiscais no Congresso, trazendo pessimismo aos investidores. O Banco Central realiza nesta manhã leilão de swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares, para rolagem do vencimento de janeiro. A oferta é de até 9.995 mil e, se totalmente vendida, encerrará a rolagem do próximo mês.
Com o entendimento de produtores de petróleo para corte da produção e a redução maior que o previsto pela Arábia Saudita, o petróleo chega ao maior preço desde julho de 2015. O barril do tipo WTI tem alta de 4,95%, a US$ 54,05. Em Londres, o barril de Brent, referência para o mercado brasileiro, vai a US$ 56,62, com alta de 4,23%.
No Brasil, as ações da Petrobras ganham 2,5% nos papéis ON (ordinárias, com direito a voto), a R$ 18,64, maior valorização do pregão, e 1,86% nos PN, a R$ 15,87%. Vale também tem alta: 0,77% nas ON e 0,3% nas PN.
Com a valorização do petróleo, outros ativos que são considerados reserva de valor estão em queda. O Dollar Index Spot, que compara a divisa com uma cesta de dez moedas globais, recua 0,25%. Os títulos de dívida americano de dez anos (Trearusy notes) sofrem uma onda de vendas e, assim, operam com juros em ascensão, a 2,50%, maior nível desde 2004 (as taxas operam na contramão dos preços dos títulos). O Tesouro americano planeja um leilão de títulos hoje.
Para o encontro da próxima quarta-feira do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), o mercado é unânime nas apostas de elevação dos juros. Já com relação ao encontro de junho do ano que vem, as chances são de duas em três, conforme cálculos da Bloomberg.
Na Europa, os índices operam com sinais mistos. O FTSE 100 (Inglaterra) cai 0,30%, o CAC 40 (França) registra valorização de 0,02%. O DAX alemão apresenta queda de 0,16%, o IBEX 35 da Espanha ganha 0,07% e o MIB italiano recua 1,26%.