sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Policiais presos na Operação Métis fizeram curso de contraespionagem nos EUA

Polícia Legislativa do Senado Federal
Polícia Legislativa do Senado Federal Foto: Givaldo Barbosa / Givaldo Barbosa / Agência O Globo
Maria Lima - O Globo
Dois agentes da Polícia Legislativa do Senado, presos temporariamente nesta sexta-feira na Operação Métis — deflagrada para desarticular, segundo o Ministério Público federal, uma associação criminosa armada responsável por embaraçar a Operação Lava-Jato —, fizeram um treinamento de contraespionagem em Atlanta (EUA) no ano passado. Em outubro de 2015, Geraldo César de Deus Oliveira e o policial Antônio Santos Neto viajaram para realizar o curso no dia 29 de outubro e retornaram ao Brasil quase um mês depois, no dia 22 de novembro. Segundo o portal da Transparência do Senado, os agentes estavam em “ Treinamento de contra-medidas de vigilância técnica”.
A informação foi antecipada pela revista “Época” na manhã desta sexta-feira. De acordo com a publicação, os dois agentes receberam dos cofres públicos mais de R$ 48 mil em diárias entre 30 de outubro e 22 de novembro de 2015. As informações estão no portal da Transparência do Senado.
AGENTES ESTIVERAM NA CASA DE GLEISI
Além do treinamento, realizado nos Estados Unidos, um dos policiais também esteve no apartamento da senadora Gleisi Hoffman (PT-PR) para realizar uma varredura. A própria senadora, por meio de nota,conformou que pediu solicitou à Polícia Legislativa do Senado uma varredura em suas residências. Segundo Gleisi, nada foi encontrado.
Com passagens pagas pelo Senado, quatro agentes, chefiados por Geraldo César de Deus Oliveira, desembarcaram em Curitiba no dia 23 de junho, 13 dias após a prisão do ex-ministro Paulo Bernardo, marido de Gleise. Na mesma operação em que Paulo Bernardo foi preso, Gleisi Hoffman foi alvo de busca e apreensão.
Nos registros do portal da Transparência do Senado, no dia 05 de julho de 2016, Geraldo Oliveira e outros três agentes voaram para Curitiba e retornaram no dia 06, recebendo duas diárias de R$ 1,1 mil cada um. O mesmo portal menciona a Secretaria de Polícia Legislativa e cita apenas a sigla “CMVT”, iniciais que indicam que seriam contra-medidas de vigilância técnica.
No período de 2015 a 2016 não há registro de viagens dos outros policiais presos nesta sexta-feira, durante a Operação Métis, para destinos fora de Brasília, onde os senadores Edison Lobão, José Sarney (Maranhão) e Fernando Collor (Alagoas) residem. Há registros de passagens para Pedro Carvalho para cursos em São Paulo. Esses senadores, entretanto, também têm residência em Brasília.