quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Pesquisa sobre máquinas moleculares ganha Nobel de Química

PHILLIPPE WATANABE - Folha de São Paulo


Os ganhadores do Nobel de Química deste ano são Jean-Pierre Sauvage, J. Fraser Stoddart e Bernard L. Feringa. Eles foram premiados pelo design e síntese de máquinas moleculares, as menores máquinas do mundo.

O Nobel de Química é entregue ao responsável pela "descoberta ou aperfeiçoamento químico mais importante", como consta no testamento de Alfred Nobel (1833-1896), inventor da dinamite e pai da premiação. A química foi a área do conhecimento mais importante para o trabalho do criador do prêmio.

O vencedor receberá 8 milhões de coroas suecas (pouco mais de R$ 3 milhões). O dinheiro é proveniente de um fundo (de mais de 4 bilhões de coroas suecas, ou R$ 1,52 bilhão, em valores atuais) deixado por Alfred Nobel. Além do valor em dinheiro, o laureado recebe uma medalha e um diploma.

HISTÓRICO

Desde o início da premiação em 1901, o prêmio de química foi distribuído 107 vezes para 171 pessoas. Somente quatro mulheres foram premiadas até o momento na categoria. A bioquímica, com 50 premiações, lidera o ranking dos temas abordados pelos vencedores.

O Nobel de Química deixou de ser entregue oito vezes (1916, 1917, 1919, 1924, 1933, 1940, 1941 e 1942). As duas guerras mundiais estão entre os fatores que explicam a ausência de prêmios nesses anos.

Algumas das descobertas premiadas durante a história são: desintegração de elementos e radioatividade de substâncias (Ernest Rutherford); descoberta e trabalho com os elementos químicos rádio e polônio (Marie Curie); química atmosférica, composição e decomposição da camada de ozônio (Mario J. Molina); e ligações químicas e compreensão da estrutura de substâncias complexas (Linus Pauling).

NOBEL 2015

Os ganhadores do ano passado do Nobel de Química foram Tomas Lindahl, Paul Modrich e Aziz Sancar, responsáveis por estudos relacionados aos mecanismos de reparo de DNA.

Os estudos dos cientistas abriram a "caixa de ferramentas de reparação do DNA". Graças a isso, foi possível entender, em nível molecular, como as células danificadas consertam o DNA e conservam a informação genética.

O trabalho deles produziu conhecimento fundamental de como células vivas funcionam e, desse modo, ajudou no desenvolvimento de novos tratamentos contra o câncer.

NOBEL DE MEDICINA

Pela pesquisa sobre como a autofagia funciona, Yoshinori Ohsumi, 71, foi laureado com o Nobel de fisiologia ou medicina nesta segunda (3).

A autofagia está relacionada ao reaproveitamento do "lixo celular". Por isso mesmo, a falha do processo acaba levando a doenças, como diabetes e câncer. A função está intimamente ligada à organela lisossomo.

O câncer, a resposta celular a infecções bacterianas e virais, formação do embrião e surgimento de novas células, resposta à falta de nutrientes, doenças neurodegenarativas e diabetes estão relacionados à autofagia. Ohsumi conseguiu identificar os 15 genes da autofagia e caracterizar cada estágio do processo.

NOBEL DE FÍSICA


Eles estudaram os estranhos estados da matéria em condições extremas. As descobertas dos cientistas têm grande impacto na tecnologia. Seus estudos influenciam perspectivas para isolantes, supercondutores e metais topológicos, além de possivelmente serem úteis no desenvolvimento de computadores quânticos.

AGENDA

7.out (Sexta)
Nobel da Paz
10.out (Segunda)
Prêmio de Ciências Econômicas