Folha de São Paulo
A Embraer anunciou nesta segunda (24) que pagará uma multa de US$ 206 milhões para encerrar um caso de corrupção que vinha sendo investigado pelas Justiças dos EUA e do Brasil. As autoridades concluíram que empresa pagou propinas em negociações feitas na Índia, Arábia Saudita, República Dominicana e Moçambique.
Além da punição financeira, a Embraer terá que adotar normas de "compliance" (medidas anticorrupção) e será fiscalizada por dois monitores externos, um brasileiro e outro norte-americano.
O valor é superior ao previsto inicialmente. Em junho, a Embraer divulgou que havia separado US$ 200 milhões (R$ 644 milhões, em valores atuais) para pagar multas decorrentes do processo.
O Departamento de Justiça dos EUA investigava a empresa desde 2010 por causa da venda de aviões militares para a República Dominicana. Durante a investigação, surgiu a suspeita de que a empresa havia subornado agentes públicos para obter um contrato de negócio em Moçambique.
As relações comerciais da Embraer com oito outros países também foram investigadas pelos EUA. Em quatro deles, os investigadores encontraram irregularidades.
A reportagem da Folha revelou que a empresa era acusada também de pagar suborno em negócios na Arábia Saudita e na Índia.
As investigações apuravam negócios da Embraer feitos no exterior entre 2008 e 2010. O caso de Moçambique ocorreu em 2008, quando foram vendidos dois jatos Embraer 190 para a LAM (Linhas Aéreas de Moçambique), controlada pelo governo, que detém 80% das ações da compania.
Também em 2008, a Embraer vendeu ao governo da República Dominicana oito aeronaves Super Tucano para o governo da República Dominicana por US$ 92 milhões. A venda motivou o início das investigações. Segundo o Departamento de Justiça, para fechar a transação, a Embraerp agou US$ 3,5 milhões em propina a um coronel reformado da Força Aérea dominicana e a parlamentares.
Em uma delação premiada, o ex-gerente da área de Defesa da Embraer, Albert Phillip Close, afirmou que sabia que comissões foram pagas pela fabricande para conseguir realizar uma venda de aeronaves para a petrolífera estatal saudita Saudi Aramco. Em 2010, dois jatos Embares 170 foram entregues à empresa.
Close também disse que um representante comercial britânico foi contratado para ajudar a companhia na venda de um sistema de vigilância aéreo ao governo indiano.
A Embraer vendeu, em 2008, três aeronaves militares EMB145 AEW&C (Alerta Aéreo Antecipado e Controle, na sigla em inglês) para o governo da Índia.
Também nesse caso não foram divulgados os valores do negócio.
Desde as descobertas, a Embraer tem colaborado com o Departamento de Justiça americano e a SEC, o órgão responsável por fiscalizar o mercado de ações no país. Papéis da empresa são negociados na Bolsa de Valores de Nova York.
Em nota, a Embraer afirmou que reconhece responsabilidade pelos atos de seus funcionários e agentes, conforme os fatos apurados, e que lamenta profundamente o ocorrido. A empresa também afirmou que sempre tratou o assunto com absoluta seriedade e que colaborou com a investigação.
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Entenda
Negócios da Embraer são alvo de investigação
Negócios da Embraer são alvo de investigação
República Dominicana
Para vender oito aeronaves Super Tucanos para o país, em negócio de US$ 92 mi, empresa pagou suborno a funcionários públicos entre 2008 e 2010, segundo autoridades americanas
Para vender oito aeronaves Super Tucanos para o país, em negócio de US$ 92 mi, empresa pagou suborno a funcionários públicos entre 2008 e 2010, segundo autoridades americanas
Índia
O governo indiano acertou a compra de três aeronaves em 2008. O negócio, que não teve o valor revelado, inclui treinamento e assistência técnica
O governo indiano acertou a compra de três aeronaves em 2008. O negócio, que não teve o valor revelado, inclui treinamento e assistência técnica
Arábia Saudita
A empresa anunciou a venda de dois jatos executivos Embraer 170, em 2010, para a Saudi Aramco, companhia petroleira estatal da Arábia Saudita. Os valores não foram revelados
A empresa anunciou a venda de dois jatos executivos Embraer 170, em 2010, para a Saudi Aramco, companhia petroleira estatal da Arábia Saudita. Os valores não foram revelados
Moçambique
A fabricante brasileira vendeu em 2008 dois jatos Embraer 190 para a LAM (Linhas Aéreas de Moçambique, empresa do governo do país). O valor do negócio não foi informado
A fabricante brasileira vendeu em 2008 dois jatos Embraer 190 para a LAM (Linhas Aéreas de Moçambique, empresa do governo do país). O valor do negócio não foi informado
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Embraer na mira
>> 9 contratos investigados nos EUA, incluindo negócios com Arábia Saudita, Índia e República Dominicana
>> US$ 200 milhões separados para pagar multas decorrentes do processo
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Negócios da Embraer
Acordos com indianos e sauditas são alvos de suspeita
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>> O CLIENTE - A Força Aérea Indiana foi criada em 1932 e é uma das maiores do mundo, com 1.724 aeronaves, de acordo com o site especializado no setor FlightGlobal
>> O ACORDO - A Embraer e o governo indiano fecharam em 2008 a venda de três aeronaves. O negócio, que não teve o valor revelado, inclui treinamento e assistência técnica
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>> O CLIENTE - A Saudi Aramco é a companhia petroleira estatal da Arábia Saudita. Ela é avaliada em US$ 2 trilhões, mais do que o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil
>> O ACORDO - A empresa brasileira anunciou em 2010, sem revelar valores a venda de dois jatos executivos Embraer 170 para o grupo do Oriente Médio
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RAIO-X - Embraer/2015
FATURAMENTO - US$ 5,9 bilhões (90% vêm das exportações)
LUCRO - US$ 69 milhões
TOTAL DE FUNCIONÁRIOS - Aproximadamente 19 mil
TOTAL DE DÍVIDAS -US$ 3,5 bilhões
CONCORRENTES - Na aviação comercial: Bombar-dier, Comac, Mitsubishi e Sukhoi; na aviação executiva: Cessna, Bombardier, Honda Jets, HawkerBeechcraft, Dassault, Gulfstream; no segmento de defesa e segurança: variam de acordo com a linha de produtos

























