1/25Bob Dylan durante apresentação no 17º Prêmio Anual da Associação de Críticos de Cinema de Los Angeles em 2012 (Christopher Polk/Getty Images)
Entre os favoritos, constavam o japonês Haruki Murakami e o queniano Ngũgĩ wa Thiong'o
O cantor e compositor americano Bob Dylan, autor de hinos dos anos 1960 comoBlowin’ in the Wind, cantado e recantado por Eduardo Suplicy no Congresso Nacional, foi anunciado nesta quinta-feira como o vencedor do Nobel de Literatura 2016. A Academia Sueca destacou a contribuição de Dylan, 75, um músico que mesclou influências do folk à intensidade da poesia beatnik no início da carreira, para a tradição do cancioneiro americano, na qual “criou novas expressões poéticas”. O anúncio, mais uma vez, surpreendeu. Nas casas de apostas londrinas, e também entre especialistas, os nomes fortes eram os de sempre, como o japonês Haruki Murakami e americano Philip Roth, além do queniano Ngũgĩ wa Thiong’o.
“Ele é o grande poeta, um grande poeta dentro da tradição da língua inglesa. Um autor original que carrega com ele a tradição e está há mais de 50 anos inovando e se renovando”, disse a secretária permanente da Academia Sueca, Sara Danius, após o anúncio solene. Ela ainda comparou Dylan a gigantes da Antiguidade e citou um disco do músicos de 1966, Blonde on Blonde, de faixas como Visions of Johanna, Just Like a Woman, Rainy Day Woman eI Want You, relançada em português pelo Skank. “Homero e Safo escreveram poesias que eram para ser lidas em voz altas, assim como as de Bob Dylan.”
De família judia, Bob Dylan nasceu em Duluth, Minnesota, em 1941, e foi criado na cidade de Hibbing, entre judeus de classe média. Sempre teve interesse por música e, na adolescência, fez parte de diversas bandas. Com o tempo, seu pendor pelo folk — especialmente por Woody Guthrie — e pela Geração Beat cresceu e moldou suas composições. Aos 20 anos, em um passo importante para dar início à carreira profissional, ele se mudou para Nova York e começou a se apresentar nos bares do efervescente Greenwich Village, bairro então tomado por hippies, cabeludos e outros representantes da contracultura. Foi logo descoberto pelo produtor John Hammond, com quem assinou contrato para o primeiro álbum, Bob Dylan, lançado em 1962.
Os anos seguintes seriam, como costuma ser para todo compositor e escritor, os mais vigorosos, criativamente, da sua carreira. Em 1965, ele lançou os discos Bringing It All Back Home e High-way 61 Revisited, em 1966 o já citadoBlonde On Blonde, e, em 1975, Blood On The Tracks. A Academia Sueca também destaca, da sua obra, os discos Oh Mercy (1989), Time Out of Mind (1997) e Modern Times (2006). Em 2004, já com nove prêmios Grammy (hoje são doze), lançou uma autobiografia, Crônicas, publicada no Brasil pela Planeta
O vídeo abaixo mostra um momento criativo de Bob Dylan no início da carreira, quando tinha como parceira, no palco e na vida pessoal, a cantora Joan Baez:
