Nunca antes na história desse país foi tão difícil conseguir achar investidores para os projetos de transmissão de energia.
Um levantamento realizado pela Thymos Energia mostra que, neste ano, apenas 37,5% dos lotes oferecidos pelo governo nos leilões para construção dos linhões tiveram interessados. Somente no leilão de ontem, oito lotes dos doze disponibilizados micaram – nem os chineses, presentes no evento, quiseram.
A taxa de sucesso vem caindo progressivamente desde 2013, logo após a edição da fatídica Medida Provisória (MP) 579, que reduziu na marra as tarifas de energia. Passou de 88% em 2012 para 64,7% no ano seguinte. Em 2014, foi para 52,7% e, agora, despencou de vez.
Até hoje, as transmissoras não receberam as indenizações prometidas para cortar em até 70% as tarifas na renovação dos contratos e, por isso, estão ficando de fora de novos projetos.
A remuneração oferecida também não tem agradado. Claudio Sales, do Instituto Acende Brasil, alerta: há linhas que já foram oferecidas mais de uma vez, sem sucesso, sinal de que é preciso mesmo rever as contas. O risco não é de falta de energia, mas de estrutura para escoá-la.
