A pouco mais de uma semana do primeiro turno das eleições no Brasil, que ocorre no próximo dia 5, a presidente Dilma Rousseff usou cerca de metade de seu discurso de 24 minutos na abertura na Assembleia-Geral da ONU, em Nova York (EUA), para falar sobre temas internos, dizendo que seu governo "assumiu a responsabilidade" de combater a corrupção no país e destacando avanços sociais dos "últimos 12 anos", de governo do PT.
"A história mostra que só existe uma maneira correta e eficiente de combater a corrupção: o fim da impunidade com o fortalecimento das instituições que fiscalizam, investigam e punem atos de corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros", disse Dilma, em meio ao escândalo de corrupção na Petrobras.
"Essa é a responsabilidade de cada governo. Responsabilidade que nós assumimos, ao fortalecer nossas instituições", completou, em referência ao trabalho feito pela Polícia Federal nas investigações.
"Fortalecemos e demos autonomia aos órgãos que investigam e também ao que faz controle interno do governo. Criamos leis que punem tanto o corrupto quanto o corruptor."
A presidente aproveitou para dizer que seu governo manteve a solidez fiscal diante da crise e "continuou a distribuir renda, estimulando o crescimento e o emprego, mantendo investimentos em infraestrutura".
"Não descuramos da solidez fiscal e da estabilidade monetária e protegemos o Brasil frente à volatilidade externa. Assim, soubemos dar respostas à grande crise econômica mundial, deflagrada em 2008", disse. "Resistimos às suas piores consequências: o desemprego, a redução de salários, a perda de direitos sociais e a paralisia do investimento."
Dilma ressaltou que o país saltou da 13ª para a 7ª maior economia do mundo. "A renda per capita mais que triplicou. A desigualdade caiu", disse.
A presidente destacou que o país reduziu a dívida líquida pública de aproximadamente 60% para 35% do PIB, e a dívida externa bruta em relação ao PIB, de 52% para 14%. "As reservas internacionais foram multiplicadas por dez, e, assim, nos tornamos credores internacionais", disse.
Dilma defendeu o controle da inflação no país, que está no teto de 6,5%, dizendo que a taxa "tem se situado nos limites da banda de variação mínima e máxima fixada pelo sistema de metas em vigor no país".
A presidente, contudo, admitiu que a crise global atingiu o Brasil, "de forma mais aguda, nos últimos anos". "Tal fato decorre da persistência, em todas as regiões do mundo, de consideráveis dificuldades econômicas, que impactam negativamente nosso crescimento", afirmou.