Ana Paula Ribeiro - O Globo
Bancos e Petrobras fazem Ibovespa fechar em queda de 0,27%
Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou em queda nesta quarta-feira, puxado pelas ações da Petrobras, dos bancos e pela expectativa em relação a uma nova pesquisa eleitoral. O indicador recuou 0,27%, aos 53.028 pontos. Já o dólar comercial fechou em alta de 0,86%, a R$ 2,2240 na venda.
A ação com mais volatilidade durante o pregão, oscilando entre os terrenos negativo e positivo, foi a da Petrobras, que é a mais penalizada com os rumores sobre as pesquisas da disputa eleitoral.
– Como em pregões anteriores, a Bolsa está em compasso de espera por conta da pesquisa eleitoral, que deve sair até amanhã cedo. E ainda teremos um feriado nos Estados Unidos na sexta-feira (Dia da Independência), que irá reduzir ainda mais os volumes negociados a partir de quinta-feira à tarde – diz Marcio Cardoso, sócio-diretor da corretora Easynvest.
As medidas tomadas pelo governo Dilma Rousseff em algumas áreas foram consideradas intervencionistas, por isso há o temor da reeleição da petista, que se reflete principalmente nas ações de empresas estatais. Os papéis preferenciais (sem direito a voto) da Petrobras operavam em queda de 0,40% e os ordinários (com direito a voto) fecharam em alta de 0,24%. A expectativa é que o Datafolha divulgue uma nova pesquisa até quinta-feira pela manhã.
Em pesquisas passadas, as ações da Petrobras, e de outras estatais, subiram com o avanço da oposição. Para Ari Santos, gerente de renda variável da corretora H. Commcor, o entendimento de operadores do mercado é que as convenções de partidos realizadas nos últimos dias e a Copa do Mundo, que ocorre sem grandes transtornos, devem favorecem as intenções de voto à petista.
No caso dos bancos, ainda pesam os dados negativos divulgados pelo Banco Central na semana passada, com a perspectiva de menor crescimento do crédito. Itaú Unibanco cai 1,62% e o Banco do Brasil, 1,68%. Já o Bradesco opera em queda menor, de 0,28%. Já as demais empresas do setor financeiro caem em um movimento de realização de lucros, em que os investidores fazem vendas em volumes expressivos para embolsarem os ganhos dos últimos pregões. A Cielo foi a maior queda do pregão, com recuo de 3,59%. No entanto, o analista do BB Investimento Carlos Daltozo lembra que o papel acumula ganhos de 35% no ano.
– Os bancos têm motivos para cair devido ao resquício dos dados sobre crédito, mas nas demais companhia o que ocorre é uma realização de lucros – afirmou o analista.
BAIXO VOLUME
Segundo Ricardo Zeno, sócio-diretor da AZ Investimentos, o Ibovespa deve ficar oscilando entre o terreno negativo devido à falta de uma carga maior de notícias sobre a atividade econômica. O giro financeiro do pregão foi de R$ 5,9 bilhões, pouco abaixo da média do mês passado.
– O mercado está aguardando algo que possa mudar a trajetória – explica.
Os investidores repercutem ainda os indicadores do mercado doméstico divulgados pela manhã. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a produção industrial recuou 0,6% em abril ante maio e queda de 3,2% em relação há um ano antes. Também é esperado para esta quarta-feira mais uma pesquisa sobre a disputa presidencial, prevista para ser divulgada à noite pelo Datafolha.
Com perspectiva positiva para a economia global, em especial com a estabilização do crescimento da atividade na China, as ações da Vale fecharam em alta. As ordinárias (com direito a voto) sobem 2,02% e as preferenciais (sem direito a voto) avançam 2,66%. A alta do dólar também beneficiou as empresas exportadoras. Os papéis da Fibria subiram 4,05% e da Usiminas, 4,64% - as duas maiores altas do pregão.
Já as ações preferenciais da Eletropaulo estão entre as maiores quedas do pregão, com recuo de 2,83%. Os investidores estão apreensivos em relação à magnitude do reajuste que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) concederá às tarifas da concessionária. A empresa solicitou 16,69%. A agência reguladora deve divulgar na manhã de quinta-feira qual será o reajuste de fato e a nova tarifa entra em vigor no dia seguinte, dia 4 de julho.
No exterior, o Dow Jones fechou em alta de 0,12% e o Nasdaq ficou praticamente estável, com leve queda de 0,02%, em dia de pronunciamento da presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Janet Yellen, que falou sobre as limitações da política monetária como ferramente para contar os riscos à estabilidade financeira.
CÂMBIO EM ALTA
Já o dólar comercial fechou em alta diante do real. A moeda americana fechou em alta de 0,86%, cotado a R$ 2,2220 na compra e a R$ 2,2240 na venda. Essa é a maior alta desde o dia 18 de junho.
Segundo o economista Jefferson Luiz Rugik, da Correparti Corretora de Câmbio, essa elevação decorre da perspectiva de uma rolagem menor das operações de swap cambial (contratos que equivalem a uma venda de moeda) que vencem em 1º de agosto.
A expectativa em relação à criação de novas vagas de emprego nos Estados Unidos também contribuiu para a valorização da moeda americana.