quarta-feira, 2 de julho de 2014

Com o fim da recessão, americanos voltam a pôr o pé na estrada

Volume de viagens a carro no país cresce e analistas veem melhora da economia

 



ATLANTA, WASHINGTON E LOS ANGELES - Traci Butler e seu marido cortaram as férias depois da recessão dos EUA, há cinco anos. Nesta semana, o casal levará seus dois filhos numa viagem de uma semana que inclui uma visita à capital americana no dia da sua independência, 4 de julho, apenas algumas semanas depois de ter passeado pela Itália.

Como consequência da recessão, “as coisas estavam muito mais apertadas”, disse Traci, professora de educação especial de Washington, Illinois, cujo marido trabalha na fabricante de máquinas de construção Caterpillar Inc.

— Não recebemos bônus durante um tempo. Os últimos dois anos foram melhores.

Cerca de 34,8 milhões de pessoas planejam fazer viagens em um raio de 80 quilômetros ou mais em relação a suas casas durante os cinco dias do feriadão americano que termina dia 6 de julho. É mais que as 34,1 milhões de pessoas no ano passado e o maior número desde 2007, disse a AAA, maior organização automobilística dos EUA, no dia 26 de junho.

Mark Zandi, economista-chefe da Moody's Analytics: aumento das viagens é bom termômetro da economia - Andrew Harrer / Bloomberg/14-9-2011

A recuperação no setor turístico está impulsionando as vendas em hotéis e atrações, um sinal de que a confiança e os gastos dos consumidores estão melhorando, disse Mark Zandi, economista-chefe na Moody’s Analytics, em West Chester, Pensilvânia.

— Os negócios relacionados a viagens e turismo estão mais fortes e isso é um excelente termômetro para a saúde da economia geral — disse Zandi. — Os gastos em viagens são mais arbitrários e caros. O ressurgimento do turismo é, portanto, um bom sinal de que a recuperação econômica está ganhando força.


HOTÉIS CHEIOS

A taxa de ocupação dos hotéis nos EUA foi de 62%, em média, durante os cinco primeiros meses deste ano, frente a 60% na mesma época no ano passado. Além disso, é a maior média para esse período desde 1996, de acordo com os dados da empresa de pesquisa STR, com sede em Hendersonville, Tennessee. A tarifa média de hospedagem subiu 4,1%, para US$ 113,58.

O Federal Reserve (Fed, o banco central americano), no relatório “Livro Bege”, divulgado no dia 4 de junho sobre as condições econômicas regionais de seus 12 bancos, descreveu o turismo como “razoavelmente forte na maioria do país durante as últimas semanas. Os distritos de Boston, Nova York, Richmond, Atlanta e Minneapolis registraram uma atividade turística cada vez mais sólida, e houve um leve aumento na Filadélfia; Dallas observou uma recuperação na demanda por linhas aéreas de passageiros”.

A atual expansão acompanha uma queda no primeiro trimestre, ocorrida em parte pelo clima rigoroso. Os gastos em viagens e turismo caíram a uma taxa anual de 1%, após um aumento de 4,5% no quarto trimestre, informou o Departamento de Análise Econômica dos EUA no dia 27 de junho.


VAGAS NO TURISMO

Desde a recessão, o setor turístico agregou em maio 749.000 postos de trabalho e emprega quase oito milhões de pessoas, uma alta recorde de acordo com a Associação de Turismo dos EUA, um grupo comercial do setor com sede em Washington.

— Há um grande otimismo — disse Arne Sorenson, diretor executivo da Marriott International, em teleconferência com investidores no dia 30 de abril. — A recuperação econômica é abrangente e firme, e deve continuar.

Traci, de Illinois, disse que está viajando novamente após a retração econômica, depois que o empregador de seu marido “demitiu muita gente durante aquela época”.

— Há um otimismo renovado — disse Shane Norton, que dirige o setor de economia e risco país na IHS Global Insight em Lexington, Massachusetts, e que trabalhou com a AAA, com sede em Heathrow, Flórida, em sua previsão. — As pessoas têm empregos. As pessoas superaram o ajuste financeiro da recessão e de depois. Elas estão olhando pra frente.