Ludwig von Mises demonstrou de forma objetiva algo que a elite política ainda tenta ocultar: inflação não é fatalidade econômica; é uma escolha estatal. Trata-se de um instrumento de política fiscal e monetária usado para financiar gastos que o governo não tem coragem de cobrar explicitamente via impostos.
Para sustentar esse mecanismo, a classe político-burocrática recorre a uma cortina de fumaça linguística. O ato simples de expandir a quantidade de moeda é revestido de tecnicismos que servem mais para confundir do que para explicar, como “gastos deficitários”, “financiamento da dívida” ou “estímulo econômico”.
Em linguagem clara, tudo isso significa apenas colocar mais dinheiro em circulação — com a consequência inevitável: a desvalorização do dinheiro existente, aquele que o cidadão recebe no salário, guarda na poupança ou usa em transações diárias.
A mesma elite que cria esse processo evita chamá-lo pelo nome correto. Em vez disso, transfere a culpa para terceiros: “alta de preços”, “ganância” ou “especulação”.
Esse deslocamento moral é estratégico. Ele permite que o estado oculte sua responsabilidade e se apresente como árbitro virtuoso contra “abusos do mercado”.
Mises foi direto ao ponto: o melhor indicador de que a inflação é prejudicial é a relutância de seus próprios autores em assumir responsabilidade. Eles negam o óbvio não por desconhecimento, mas porque compreendem perfeitamente o mecanismo que operam.
Há uma assimetria proposital entre o que o governo sabe e o que comunica ao público. Essa desinformação é funcional. Mantém a população dependente de narrativas oficiais, jargões técnicos e falsas explicações sobre a origem da perda de poder de compra.
Quando surgem os efeitos inevitáveis — queda real dos salários, distorções de preços, incerteza e desarranjos produtivos —, o estado reage criando conselhos, comitês, tabelamentos e ameaças regulatórias, como se controlar preços fosse capaz de apagar a causa monetária do problema.
O episódio dos EUA nos anos 1960 ilustra essa incoerência: enquanto o governo impunha limites artificiais de 3,2% para reajustes de preços e salários, o presidente Johnson ameaçava aumentar impostos caso a inflação não cedesse — ignorando que era justamente a política fiscal expansionista que alimentava o processo.
Se o cidadão compreendesse o essencial da teoria monetária — que inflação é um imposto oculto, que déficit é criação de moeda, e que “pressões inflacionárias” são apenas rótulos para erros estatais —, o debate político brasileiro teria outro rumo.
Enquanto esse esclarecimento não ocorrer, continuaremos repetindo o ciclo: o estado cria o problema, culpa o mercado e, ao final, apresenta-se como salvador moral.
À luz da obra de Mises, pode-se extrair uma conclusão inequívoca: as distorções econômicas não resultam de falhas da ciência econômica, mas das decisões políticas que insistem em contrariar seus princípios mais elementares.