terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Viaturas abandonadas e delegacias sem estrutura: a realidade da polícia paulista

Sindicato visitou unidades de todo o Estado e fez um levantamento da situação que os policiais enfrentam

Segundo o Sindpesp, os policiais do Estado recebem os piores salários do Brasil
Segundo o Sindpesp, os policiais do Estado recebem os piores salários do Brasil | Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

Viaturas abandonadas, delegacias sem infraestrutura necessária, falta de policiais e, em alguns casos, com estagiários cedidos por municípios atendendo a população.

Essa é uma amostra da situação das delegacias do interior de São Paulo, segundo levantamento do Sindicato dos Delegados do Estado (Sindpesp) que Oeste teve acesso.

No final de 2021, o Sindpesp visitou distritos em todo o interior do Estado para ouvir dos policiais os principais problemas enfrentados no trabalho diário.

“A situação encontrada em algumas regiões é caótica”, disse a presidente do Sindpesp, Raquel Gallinati.

O levantamento levou em consideração delegacias de onze regionais da Polícia Civil.

Segundo o Sindpesp, existem “delegacias interditadas e desocupadas, viaturas abandonadas no meio da rua e distritos que só estão abertos porque as prefeituras cederam estagiários” para atuar no lugar de policiais.

A falta de policiais é outro problema que atinge as cidades paulistas. De acordo com o relatório, o déficit chega a 15 mil agentes.

“É uma situação precária e que coloca em risco a segurança da população”, explicou a presidente do Sindpesp.

Outro efeito da falta de policiais é que as delegacias de 300 municípios do interior paulista funcionam sem um delegado fixo e, por isso, são atendidas por profissionais de cidades vizinhas. Entre as regionais com a maior defasagem estão Sorocaba (61%), Piracicaba (54%) e Bauru (52%).

Defasagem salarial

A queixa mais frequente entre os policiais é a defasagem salarial da categoria. Segundo o Sindpesp, os policiais do Estado recebem os piores salários do Brasil.

“Além do pagamento não ser condizente com as dificuldades e os riscos da carreira policial, o baixo salário afasta os aprovados em concursos”, disse Gallinati.

Em janeiro, o Estado convocou 391 aprovados em concurso para tomar posse em seus cargos. Dos nomeados, 44% não compareceram para a assumir os cargos.

Ofício

Nesta quarta-feira, 8, o Sindpesp vai protocolar no Palácio do Governo do Estado um ofício solicitando a abertura de negociações para tratar dos principais problemas da Polícia Civil paulista.

Além dos delegados, outras 12 entidades representativas das carreiras policiais também assinaram o documento.

“Estamos unidos para mostrar a realidade ao governador e solicitar diálogo para solucionar questões como a falta de estrutura e a necessidade de um plano de carreira que atenda aos policiais”, completou Gallinati.

Outro lado

O governo paulista informou, por meio de nota, que não comenta levantamentos cuja “metodologia desconhece”.

Secretaria de Segurança Pública afirmou que investe continuamente na “valorização, ampliação e recomposição do efetivo policial”.

Desde o início da gestão de João Dória (PSDB), 2,3 mil policiais civis foram contratados e outras 2,7 mil vagas abertas, segundo a pasta.

O governo também afirmou que já reformou 89 unidades policiais e outras 177 estão em reforma ou com os projetos em andamento com previsão de entrega até o fim do ano.

Guilherme Lopes, Revista Oeste