segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Direita tem vitória expressiva em eleições municipais no Chile


O ex-presidente conservador Sebastian Pinera (à esquerda) comemora o bom resultado da direitas nas eleições municipais chilenas ao lado do prefeito eleito de Santiago Felipe Alessandri - CHRISTIAN MIRANDA / AFP


Reuters


Resultado foi um duro golpe para a coalizão de esquerda da presidente Michelle Bachelet


SANTIAGO - As eleições municipais deste domingo no Chile representaram uma significativa vitória para a direita, que derrotou em dezenas de cidades a coalizão de centro-esquerda que governa o país, numa demonstração de força do ex-presidente Sebastian Pinera, provável candidato conservador nas eleições presidenciais do ano que vem.

Com mais de 99% das urnas apuradas, a coligação de direita Chile Vamos surge como grande vencedora, tendo conquistado mais votos que a coalizão de esquerda Nova Maioria, da presidente Michelle Bachelet. Candidatos conservadores venceram em cidades cruciais, incluindo Santiago central, um município dentro da capital, considerado um formador de opinião.

- Isso mostra que os eleitores estão cansados de promessas incompletas - disse o conservador Felipe Alessandri, prefeito eleito de Santiago central. - As pessoas deixaram claro que estão descontentes com os velhos políticos e que querem ser ouvidas.

Os eleitores se afastaram o governo Bachelet após uma série de escândalos de corrupção, fracasso num programa de reformas e fraco crescimento econômico. O resultado deve beneficiar Pinera, um empresário conservador que presidiu o Chile de 2010 a 2014, entre os dois mandatos de Bachelet, e que deve tentar retornar à Presidência.

“Sebastian Pinera vai dormir com a faixa presidencial esta noite” tuitou o cientista político Patricio Navia, que leciona na Universidade de Nova York e na Universidade Diego Portales, em Santiago.

O resultado é mais um sinal da maré conservadora que atinge a América Latina, após resultados decepcionantes de candidatos esquerdistas em países vizinhos como o Peru e a Argentina, ao longo do último ano.

Partidos independentes - até então irrelevantes na política chilena - também tiveram uma boa performance, o que pode indicar o fim de um ciclo de 26 anos com alternância de duas coalizões no poder. A prefeitura de Valparaíso, uma das maiores cidades do Chile foi conquistada por um independente.

Outro sinal da crescente insatisfação com a classe política foi a relativamente alta abstenção nas eleições deste domingo. A presidente Bachelet, que, pela Constituição, não pode se candidatar em 2017, foi à TV reconhecer a derrota de suca coalizão e lamentar que tantos chilenos tenham preferido não votar.

- Vamos ter que redobrar nossos esforços para atender aos anseios e sonhos de nossos cidadão. Esse (o resultado das urnas) foi um recado muito sério não só para nossa coalizão, mas para todos os líderes políticos do país - disse a presidente.