quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Lula, Marisa e mais seis denunciados no caso do tríplex

ESTELITA HASS CARAZZAI
FLÁVIO FERREIRA

Folha de São Paulo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será denunciado nesta quarta-feira (14) pela força-tarefa da Operação Lava Jato no caso do tríplex do Guarujá, no litoral paulista.

Esta é a primeira denúncia contra o petista encaminhada ao juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na Justiça Federal do Paraná.

Lula é acusado de ter sido beneficiado pela reforma do imóvel, feita pela construtora OAS, cujos recursos teriam origem no esquema de corrupção na Petrobras.

Os procuradores trabalham na revisão final da denúncia, que deve ser protocolada na Justiça na tarde desta quarta (14).

As benfeitorias no tríplex, que foi construído pela cooperativa Bancoop e havia sido adquirido por Lula e sua mulher em 2005, custaram R$ 2,4 milhões, segundo a investigação da PF.

Além do ex-presidente, também foram denunciados a ex-primeira-dama Marisa Letícia; os executivos da OAS Leo Pinheiro, Agenor Franklin Medeiros e Paulo Gordilho; o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto; Fábio Hori Yonamine e Roberto Moreira Ferreira.

A OAS também pagou a mudança do acervo de Lula em Brasília, após o término do seu mandato presidencial. Segundo a PF, R$ 1,3 milhão foram gastos no contrato de transporte, feito em nome da construtora, mas destinado ao ex-presidente.

Os procuradores da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba trabalharam até na madrugada desta quarta-feira (14) para concluir a acusação formal contra o ex-presidente.

A denúncia não quer dizer que o petista é culpado. Se ela for aceita pelo juiz federal Sergio Moro, o petista passará à condição de réu pela primeira vez em uma ação criminal resultante das investigações em curso em Curitiba.

O trabalho entrou na reta final após a realizações de oitivas de políticos, como o ex-senador petista Delcídio do Amaral e o ex-deputado federal do PP Pedro Corrêa.

Antes, o petista já havia sido indiciado pela Polícia Federal no caso do tríplex, no fim de agosto, sob suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. A investigação apontou que o tríplex, reformado pela OAS, estaria reservado à mulher de Lula, e que as melhorias foram feitas para beneficiar a família do petista.

Na ocasião, também foram indiciados Marisa, os executivos da OAS Leo Pinheiro e Paulo Gordilho, e o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto. Parte deles deve estar entre os denunciados.

Lula ainda é alvo de outros dois inquéritos na Lava Jato, que apuram se ele é o real proprietário de um sítio em Atibaia (SP), reformado pela construtora Odebrecht, e se as palestras dadas pelo ex-presidente após deixar o governo foram pagas com dinheiro oriundo do esquema da Petrobras. A investigação continua em andamento.

OUTRO LADO

O ex-presidente tem afirmado reiteradamente que nunca cometeu qualquer ato ilegal e que é perseguido politicamente pela Lava Jato.

A defesa de Lula já recorreu à ONU acusando o juiz Sergio Moro de violar direitos, e argumenta que ele indicou um juízo de valor desfavorável ao ex-presidente.