Organizadores promovem fiscalização de preços e selos de qualidade aos participantes; consumidores, contudo, devem se manter atentos às armadilhas

Black Friday, evento que reúne descontos de até 80% em milhares de produtos em todo país (Ivan Pacheco/VEJA)
O comércio on-line se arma para a próxima sexta-feira, dia em que o país terá sua quarta edição da Black Friday. Inspirado na data em que o comércio americano desova estoques para a época do Natal, promovendo megadescontos, o evento existe no Brasil em versão e-commerce desde 2011. De lá pra cá, muitos consumidores fizeram bons negócios. Outros ganharam dores de cabeça e garantiram idas ao Procon. Entre os principais problemas estão a maquiagem de preço, os servidores sobrecarregados e a falta de estoque. Tantas adversidades renderam ao evento um nome 'paralelo': Black Fraude. Para tentar reverter o quadro, os organizadores promovem, desde o ano passado, medidas para se precaver da má-fé de lojistas e dos problemas tecnológicos.
O empresário Pedro Eugênio, do site Busca Descontos, que trouxe o evento ao Brasil, garante que as lojas aprenderam com os erros e se deram conta de que não compensa sair com a imagem arranhada devido à propaganda enganosa. Por isso, intensificou o trabalho de adesão ao selo Black Friday Legal — que garante, de certa forma, a idoneidade das empresas. Eugênio também disponibilizou desde o ano passado, no site ReclameAqui, um canal direto para queixas sobre as ofertas do evento. Há ainda um acompanhamento em tempo real dos preços dos produtos feito pelo Instituto Sieve. O intuito é combater a maquiagem de preço, que atingiu um índice de 21% no ano passado. “Além de ter muita gente que espera a Black Friday para comprar produtos de maior valor agregado, neste ano, muitas pessoas querem usar a data para antecipar os presentes de Natal. Além disso, o 13º salário de grande parte dos brasileiros cairá na conta no dia exato da Black Friday, o que aumenta o potencial de consumo”, explica o organizador.
Entre 2012 e 2013, o número de transações saltou mais de 400%, para 1,95 milhão, durante o dia e ao longo do fim de semana. Já as reclamações aumentaram 6,2%, segundo o ReclameAqui. “A Black Friday traz mais vendas e, consequentemente, maior número de problemas. A frase de ordem para o período é estar preparado para resolver todos eles. No caso do consumidor, é preciso se manter atento e comparar preços”, explica Maurício Vargas, presidente do ReclameAqui.
Leia também:
As lojas mais reclamadas na Black Friday de 2013
As lojas mais reclamadas na Black Friday de 2013
Segundo dados do Google, entre os meses de outubro e novembro, o interesse de consumidores pela Black Friday aumentou 200% em relação ao mesmo período do ano passado. A gerente de vendas para varejo do Google Brasil, Lidiane Tahan, afirma que entre as principais buscas estão eletrônicos, eletrodomésticos, vestuário e móveis. “Para as empresas é importante investir na Black Friday porque, se o consumidor tiver uma boa experiência no site, ele volta para fazer compras no Natal. É uma ferramenta estratégica para que a empresa consiga captar novos clientes”, afirma. O Google representa 30% da origem dos acessos de todos os sites de varejo credenciados para a Black Friday.
Outro fator determinante para estimular as empresas a não errarem em 2014 é o próprio cenário econômico. As vendas no comércio subiram apenas 2,6% até setembro deste ano, o pior resultado em quase uma década. Já a inflação abocanha uma fatia cada vez maior da renda da população. O IPCA de outubro marcou 6,59%, acima do teto da meta do Banco Central. Não bastasse isso, a demanda por crédito tem recuado e as famílias apertam os cintos para evitar o endividamento. Traduzindo na linguagem do comércio, esses indicadores sinalizam que a população está comprando menos e que os varejistas estão com estoques elevados. Sendo assim, a Black Friday será a última chance antes do Natal de reverter o quadro de desaceleração. A expectativa é de que as vendas superem 1,2 bilhão de reais — uma alta de 56% em relação ao ano passado. Apesar de inferior ao crescimento do ano passado (que chegou a 217%), a previsão é otimista quando se leva em conta a conjuntura ruim. A saber se vai se concretizar.
Antes de se aventurar nas compras, leia as dicas elaboradas pelo site de VEJA sobre como escapar das armadilhas do evento.
A Americanas.com, do grupo B2W, acumulou 602 queixas no período, sendo que 110 foram recebidas via site da campanha e 492 via chat. O pico de queixas da empresa havia sido em 2 de outubro de 2013, quando foram registradas 170 denúncias no Reclame Aqui. No ano, a companhia acumula 14.642 reclamações.
A loja virtual do Ponto Frio, também da Nova Pontocom, teve 566 queixas até o meio-dia - 243 via site e 323 via chat. Seu pico máximo em um único dia havia sido em 27 de setembro, quando foram recebidas 137 reclamações. No ano, ela soma 15.742 denúncias no Reclame Aqui.
O Submarino.com, da B2W, recebeu 418 queixas nas primeiras 12 horas de promoção, sendo 89 pelo site e 329 por chat. Ou seja, ultrapassou de longe seu pico de queixas no site Reclame Aqui, de 269, dia 2 de outubro. No ano, o Submarino acumula 10.381 denúncias.
O quinto lugar no ranking de mais reclamadas nas primeiras 12 horas de Black Friday é a Casas Bahia, do grupo Nova Pontocom, com 256 denúncias, contabilizando chat e site, acima das 86 queixas registradas em 23 de agosto. No ano, ela acumula 10.879 reclamações.
O site do Walmart acumulou 173 reclamações nesta sexta, sendo que seu pico de queixas num só dia havia sido de 121. No ano, são 17.983.
A loja de esportes Centauro recebeu 84 queixas, acima do recorde anterior de 75 reclamações em apenas um dia. No ano, soma 6.593 registros no Reclame Aqui.
Luiza Trajano, presidente do Magazine Luiza
O Magazine Luiza ocupa a oitava posição com 71 reclamações. A rede ainda não atingiu seu pico de queixas em um dia, de 103, registrado em 4 de outubro deste ano.
A rede de livrarias Saraiva ocupa o nono lugar, com 52 queixas, ante um pico de 142 em apenas um dia em 2013. No ano, são 11.579 reclamações.
Ponto Certo, a loja virtual das marcas Brastemp e Consul, teve 34 queixas no período da manhã. Seu pico havia sido de 19 reclamações num único dia. No ano, são 792.
Prefira comprar em sites de lojas renomadas. Antes de ceder a uma promoção imperdível naquele site desconhecido, certifique-se de que ele não está relacionado na lista negra do Procon-SP, confira a reputação da loja no Reclame Aqui e verifique os certificados de segurança do site, como o cadeado que aparece na barra de endereço do navegador. Mesmo depois de checar a idoneidade da loja, faça contato telefônico e confira as informações sobre endereço físico e telefone fixo. O site do evento também reúne os maiores participantes da Black Friday.
Ignore os links de promoções que chegam via e-mail, mesmo de lojas conhecidas - eles pode ser um phishing, golpe usado para roubar dados do cartão do usuário. Prefira entrar no site da loja (mas nunca clicando no link enviado por e-mail, e sim digitando o endereço no navegador) para conferir se o preço do produto é mesmo aquele que foi anunciado.
A geladeira side-by-side, a máquina de lavar de 15 kg ou a TV de 50 polegadas com preços irresistíveis podem não caber no cantinho reservado a eles. Verifique altura, largura e profundidade dos produtos antes do clique final. Quem compra por impulso aumenta o risco de acabar com um elefante branco em casa.
Não espere que todos os produtos à venda estejam pela metade do preço. "Lançamentos não costumam entrar na promoção da Black Friday", lembra Thiago Flores, diretor executivo do Zoom. E antes de estourar o limite do cartão de crédito, lembre-se dos gastos extras do início de ano, como IPTU, IPVA e matrícula da escola.
Extra.com
O Extra.com, do grupo Nova Pontocom, recebeu até meio-dia 646 denúncias no Reclame Aqui, somando as postadas no site (306) e as reclamadas via chat on-line (340). O maior índice diário de reclamações do Extra.com havia sido em 25 de fevereiro deste ano, quando recebeu 135 queixas. Até agora, em 2013, o Extra.com soma 17.767 denúncias na página.
Americanas.com
Ponto Frio
Submarino.com
O Submarino.com, da B2W, recebeu 418 queixas nas primeiras 12 horas de promoção, sendo 89 pelo site e 329 por chat. Ou seja, ultrapassou de longe seu pico de queixas no site Reclame Aqui, de 269, dia 2 de outubro. No ano, o Submarino acumula 10.381 denúncias.
Casas Bahia
O quinto lugar no ranking de mais reclamadas nas primeiras 12 horas de Black Friday é a Casas Bahia, do grupo Nova Pontocom, com 256 denúncias, contabilizando chat e site, acima das 86 queixas registradas em 23 de agosto. No ano, ela acumula 10.879 reclamações.
Walmart
O site do Walmart acumulou 173 reclamações nesta sexta, sendo que seu pico de queixas num só dia havia sido de 121. No ano, são 17.983.
Centauro
A loja de esportes Centauro recebeu 84 queixas, acima do recorde anterior de 75 reclamações em apenas um dia. No ano, soma 6.593 registros no Reclame Aqui.
Magazine Luiza
Luiza Trajano, presidente do Magazine LuizaO Magazine Luiza ocupa a oitava posição com 71 reclamações. A rede ainda não atingiu seu pico de queixas em um dia, de 103, registrado em 4 de outubro deste ano.
Saraiva
A rede de livrarias Saraiva ocupa o nono lugar, com 52 queixas, ante um pico de 142 em apenas um dia em 2013. No ano, são 11.579 reclamações.
Ponto Certo
Ponto Certo, a loja virtual das marcas Brastemp e Consul, teve 34 queixas no período da manhã. Seu pico havia sido de 19 reclamações num único dia. No ano, são 792.
Fuja de sites suspeitos
Não clique em ofertas que chegam por e-mail
Ignore os links de promoções que chegam via e-mail, mesmo de lojas conhecidas - eles pode ser um phishing, golpe usado para roubar dados do cartão do usuário. Prefira entrar no site da loja (mas nunca clicando no link enviado por e-mail, e sim digitando o endereço no navegador) para conferir se o preço do produto é mesmo aquele que foi anunciado.
Leia as especificações do produto antes de adquiri-lo
A geladeira side-by-side, a máquina de lavar de 15 kg ou a TV de 50 polegadas com preços irresistíveis podem não caber no cantinho reservado a eles. Verifique altura, largura e profundidade dos produtos antes do clique final. Quem compra por impulso aumenta o risco de acabar com um elefante branco em casa.
Baixe as expectativas
Não espere que todos os produtos à venda estejam pela metade do preço. "Lançamentos não costumam entrar na promoção da Black Friday", lembra Thiago Flores, diretor executivo do Zoom. E antes de estourar o limite do cartão de crédito, lembre-se dos gastos extras do início de ano, como IPTU, IPVA e matrícula da escola.